sexta-feira, 28 de março de 2008

“A anatomia do fascismo” – Robert O. Paxton

Introdução

A invenção do fascismo
O século XX teve no fascismo uma das suas grandes inovações. Carregado de grande euforia, o mesmo representou um mecanismo de bloqueio à ação da esquerda. É com o fim da Primeira Guerra Mundial que o termo foi cunhado por Benito Mussolini para representar o “estado de ânimo” dos seus seguidores. É importante ser assinalado que o termo nasceu, oficialmente, em Milão, na data de 23 de março de 1919. E é justamente na Itália que se seguem os primeiros passos ou ensaios do referido sistema político-partidário.
Dentre suas características, o anti-capitalismo e o seu tom anti-burguês de destacam. Todavia, o tão falado anti-semistismo é muitas vezes considerado como essência do regime; o que não pode ser ratificado. Na verdade, nas próprias palavras do autor, “o que o fascismo criticava no capitalismo não era sua exploração, mas seu materialismo, sua indiferença para com a nação (...)”.
Outro fator de caráter dialético é relativo à modernização, pois muitas vezes os fascistas declaravam uma ideologia agrária livre dos conflitos do modo de vida urbano; mas quantas não são as vezes que se vê uma idolatria a bens como carros e aviões de alta capacidade? O ritmo da industrialização, indubitavelmente, é acelerado quando da chegada ao poder do regime. Portanto, é igualmente falível afirmar que o fascismo representa uma reação antimodernista ou ditadura da modernização. Foram os artesãos e os camponeses que formam a base inicial de apoio ao regime.
O destaque da historiografia referente ao drama da trajetória fascista vale ser assinalado. O apoio da população e até mesmo a sua conivência é esquecido; “Eles jamais teriam crescido sem a ajuda das pessoas comuns (...)”
O que de fato fica evidente quando estudamos o tema é que os desacordos às interpretações, partem de estratégias intelectuais divergentes.O fascismo tem na emoção e no apelo uma chave para o seu desempenho de sucesso; a sua retórica é muito profunda e mexe com o pensamento de muitos. É esse sentimento popular (e não um cerne filosófico denso) que baseia a doutrina fascista. A figura do líder se junta ao destino histórico do povo, constituindo-se assim essa mencionada base. A inexistência de um programa fascista não era motivo de segredo; Benito Mussolini muitas vezes dizia ser ele mesmo a definição do conceito entendido por fascismo.

Para onde vamos a partir daqui?
O regime que hoje entendemos como fascista andou rumo ao poder com a ajuda de ex-liberais temerosos, tecnocratas oportunistas e até mesmo ex-conservadores. A sua vigência se deu como um movimento de alinhamento mútuo, ainda que desconfortável por muitas vezes.
Muitas sociedades da modernidade geraram movimentos fascistas durante o século XX, mas poucas foram as que tiveram regimes fascistas. Fica patente então, a diferença de regime para movimento.

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