Olá galera...segue um pequeno resumo de uma peça teatral com o tema relacionado ao nosso curso.
O texto
Bertolt Brecht (1898-1956), autor e diretor alemão, trouxe a luta de classes para a poesia da cena, mostrando o homem como sujeito transformador de sua realidade. Em 1933 abandonou a Alemanha nazista, e no exílio escreveu, entre outras peças, Terror e Miséria no III Reich. Trata-se de um texto épico, onde cenas independentes são justapostas para retratar a Alemanha no período em que Hitler estava no poder. As cenas foram criadas a partir de recortes de jornais do período pré-guerra – 1942-1943, época em que a Alemanha vivia o temor de um governo totalitário e inquisidor. Para retratar esta sociedade abalada pela iminência de uma guerra, e pelo surgimento de uma facção preconceituosa e extremamente nacionalista (que desejava a todo custo o “soerguimento do povo alemão”, humilhado pelo Tratado de Versalhes), Brecht percorre as diferentes classes sociais, retratando as relações que se estabelecem ou se rompem perante o medo.
A peça
A peça retrata as relações humanas perante o medo. Na encenação, os atores apropriam-se de um espaço alternativo, onde cenas independentes são realizadas em escadarias, galpões, corredores e locais abertos, transformando todos esses ambientes. O público vai sendo guiado no decorrer do espetáculo em um verdadeiro campo de concentração. “A movimentação do público pelos espaços, as instalações e a caracterização do local buscam gerar uma atmosfera que remeta ao III Reich”, explica Lazzaratto. “Essa sensação de estar inserido no cenário, em situação ao lado das personagens é, para a platéia, uma experiência única, individual e inexplicável”, completa.
Trata-se, segundo o diretor, de um texto épico, em que as diversas cenas são justapostas para retratar a Alemanha no período Hitlerista, “revelando uma sociedade abalada pela eminência de uma guerra, em que, nas diferentes classes sociais, as relações se estabelecem ou se rompem perante o medo”. A preocupação do diretor e do elenco, segundo Lazzaratto, não apenas é relatar os fatos, mas, de alguma forma, “introduzir as pessoas nesse contexto extremamente atual, por meio de uma sincera manifestação artística”.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
MILMAN, Luis. “Negacionismo: gênese e desenvolvimento do genocídio conceitual” In: MILAN, Luis, VIZENTINI , Paulo, Op. Cit., p. 115 a 154.
O artigo tratado é da autoria de Luis Milman, filósofo e jornalista que também há desenvolveu sistema de colaboração a diversos jornais e revistas de todo Brasil.
O autor começa reconhecendo a amplitude e contemporaneidade sobre o debate relacionado ao negacionismo. “Em muitos aspectos, as discussões que têm sido feitas contribuem para elucidar a funcionalidade de fantasias racistas arcaicas e de mitos conspiratórios ainda ativos na mentalidade contemporânea.”
Milan logo nas primeiras páginas nos alerta para o fato dessa postura que visa a banalização da apreensão do Holocausto (com suas próprias palavras); informa que tal medida não é algo inédito enquanto “retórica defensiva nazifascista”. Robert Servetius, Paul Vergés são alguns dos nomes representantes da postura que anteriormente mencionamos.
Como sabemos, os negacionistas se mostram como pesquisadores dedicados a questionar a história tida como oficial. Daí o sinônimo – revisionista- que, igualmente, denota uma postura de rever essa mesma história tida como oficial. Mas toda essa abrangência de detalhes metodológicos conceituais já foi abordada anteriormente através do artigo de Vilmar Krause. Mas como diz o próprio Milman: “(...) uma incursão pela história do negacionismo trará esclarecimentos sobre as origens e o desenvolvimento de suas distintas motivações.”
Em torno dos nomes como Paul Rassinier e Robert Faurisson ocorreu a construção das bases atuais da escola de postura negacionista (ou revisionista). Rassinier é o autor do primeiro livro desta escola; é portanto, um dos personagens chaves da mesma. O autor trata desta figura longamente e até certo ponto, densamente. Todavia não é nossa pretensão essa riqueza de detalhes informacionais. Sobre Faurisson, é válido ressaltar que ele “entra em cena” dez anos depois da morte de Rassinier tornando-se assim, o nome de maior expressão da postura a qual estamos tratando. David Irving, Arthur Butz e Roger Garaudy formam o grupo, juntamente com Faurisson, dos principais protagonistas da corrente mistificatória da qual Milman trata mas que também não vale ser aqui esmiuçada.
Em uma etapa importante de desenvolvimento de seu trabalho Milman lança a seguinte pergunta: “O que está em jogo quando discutimos as teses negacionistas?” Sigo nas palavras do autor: “Os negadores do Holocausto enquadram-se (...) pela audácia de investirem na supressão de fatos relativamente recentes. Para isso, eles contam com uma metodologia cenográfica e aparentemente elaborada (...)”.
Para finalizar nosso trabalho de síntese do artigo de Luis Milman, cabe a ressalva exposta pelo mesmo de que a argumentação daqueles que negam a história do extermínio do povo judeu possui alguns pressupostos encobertos. A respeito de como isso é estabelecido e eficientemente relacionado, vale a leitura integral do texto.
O autor começa reconhecendo a amplitude e contemporaneidade sobre o debate relacionado ao negacionismo. “Em muitos aspectos, as discussões que têm sido feitas contribuem para elucidar a funcionalidade de fantasias racistas arcaicas e de mitos conspiratórios ainda ativos na mentalidade contemporânea.”
Milan logo nas primeiras páginas nos alerta para o fato dessa postura que visa a banalização da apreensão do Holocausto (com suas próprias palavras); informa que tal medida não é algo inédito enquanto “retórica defensiva nazifascista”. Robert Servetius, Paul Vergés são alguns dos nomes representantes da postura que anteriormente mencionamos.
Como sabemos, os negacionistas se mostram como pesquisadores dedicados a questionar a história tida como oficial. Daí o sinônimo – revisionista- que, igualmente, denota uma postura de rever essa mesma história tida como oficial. Mas toda essa abrangência de detalhes metodológicos conceituais já foi abordada anteriormente através do artigo de Vilmar Krause. Mas como diz o próprio Milman: “(...) uma incursão pela história do negacionismo trará esclarecimentos sobre as origens e o desenvolvimento de suas distintas motivações.”
Em torno dos nomes como Paul Rassinier e Robert Faurisson ocorreu a construção das bases atuais da escola de postura negacionista (ou revisionista). Rassinier é o autor do primeiro livro desta escola; é portanto, um dos personagens chaves da mesma. O autor trata desta figura longamente e até certo ponto, densamente. Todavia não é nossa pretensão essa riqueza de detalhes informacionais. Sobre Faurisson, é válido ressaltar que ele “entra em cena” dez anos depois da morte de Rassinier tornando-se assim, o nome de maior expressão da postura a qual estamos tratando. David Irving, Arthur Butz e Roger Garaudy formam o grupo, juntamente com Faurisson, dos principais protagonistas da corrente mistificatória da qual Milman trata mas que também não vale ser aqui esmiuçada.
Em uma etapa importante de desenvolvimento de seu trabalho Milman lança a seguinte pergunta: “O que está em jogo quando discutimos as teses negacionistas?” Sigo nas palavras do autor: “Os negadores do Holocausto enquadram-se (...) pela audácia de investirem na supressão de fatos relativamente recentes. Para isso, eles contam com uma metodologia cenográfica e aparentemente elaborada (...)”.
Para finalizar nosso trabalho de síntese do artigo de Luis Milman, cabe a ressalva exposta pelo mesmo de que a argumentação daqueles que negam a história do extermínio do povo judeu possui alguns pressupostos encobertos. A respeito de como isso é estabelecido e eficientemente relacionado, vale a leitura integral do texto.
sábado, 14 de junho de 2008
GOODRICK-CLARKE, Nicholas. Sol Negro: cultos arianos, nazismo esotérico e políticas de identidade. São Paulo: Madras, 2004. Conclusão: p. 397-401
“Raça é o ímã dos cultos arianos e do nazismo esotérico, o princípio guia de sua visão de mundo histórica e política (...)”. Nicholas Clarke fala de uma postura observada no final da década de 50, marcada por um neonazismo pela oposição branca dos direitos civis destinados aos negros, a integração, o transporte integrado e a ação afirmativa. Salienta igualmente, os grupos neonazistas da Grã-Bretanha que tiveram origem justamente dos crescentes níveis de imigração de pessoas de cor.
Essa política visando o benefício dos negros perante os brancos (mediante por exemplo, políticas governamentais), ou seja, essa visão baseada no conceito de raça é, indubitavelmente, uma das causas do crescimento da extrema direita racista.
O autor menciona figuras como Julius Evola, Savitri Devi e Miguel Serrano; diz que o “pessimismo cultural” dos mesmos “expressa o temor da queda dos brancos (arianos) em uma era degenerada, dominadas por inferiores raciais e sociais.”
Um novo tipo de nacionalismo “como uma cultura de resistência às recentes forças de globalização e de imigração” pode ser notado. Por isso tornam-se explicável (todavia, não concebível, ou seja, não justificável) os aumentos do culto ariano da identidade branca em paises como os Estados Unidos (local de grande desafio no que diz respeito à diversidade de culturas – multiculturalismo- e onde a imigração vinda do Terceiro Mundo é cada vez mais ativa e intensa).
Para finalizar essa breve abordagem vale ressaltar que a conseqüência dessas posturas (a ação afirmativa, o multiculturalismo, etc.) está levando a um embate com/ao sistema liberal. “(...) esses cultos arianos e o nazismo esotérico podem ser documentados como sintomas iniciais de grandes mudanças desestabilizadoras nas democracias ocidentais da atualidade.”
Essa política visando o benefício dos negros perante os brancos (mediante por exemplo, políticas governamentais), ou seja, essa visão baseada no conceito de raça é, indubitavelmente, uma das causas do crescimento da extrema direita racista.
O autor menciona figuras como Julius Evola, Savitri Devi e Miguel Serrano; diz que o “pessimismo cultural” dos mesmos “expressa o temor da queda dos brancos (arianos) em uma era degenerada, dominadas por inferiores raciais e sociais.”
Um novo tipo de nacionalismo “como uma cultura de resistência às recentes forças de globalização e de imigração” pode ser notado. Por isso tornam-se explicável (todavia, não concebível, ou seja, não justificável) os aumentos do culto ariano da identidade branca em paises como os Estados Unidos (local de grande desafio no que diz respeito à diversidade de culturas – multiculturalismo- e onde a imigração vinda do Terceiro Mundo é cada vez mais ativa e intensa).
Para finalizar essa breve abordagem vale ressaltar que a conseqüência dessas posturas (a ação afirmativa, o multiculturalismo, etc.) está levando a um embate com/ao sistema liberal. “(...) esses cultos arianos e o nazismo esotérico podem ser documentados como sintomas iniciais de grandes mudanças desestabilizadoras nas democracias ocidentais da atualidade.”
sexta-feira, 13 de junho de 2008
KRAUSE- VILMAR, Dietfrid. “A negação dos assassinatos em massa do nacional-socialismo: desafios para a ciência e para a educação política” In: MILMAN,
O Revisionismo se caracteriza por uma acepção histórica que procura, como denota o próprio nome, revisar a História. De início, os adeptos da mesma não negavam essa “matança em massa” através da utilização de gás tóxico, mas tornavam tudo isso e os próprios testemunhos das vítimas algo que poderia (e deveria) ser relativizado.
Paul Rassinier (francês, ex-socialista e ex-prisioneiro do campo de concentração de Buchenwaid) é o nome daquele que conseguiu sucesso das primeiras declarações negacionistas . Dentre os inúmeros pontos que são negados por essa geração de revisionistas, temos por exemplo: o número de pessoas assassinadas, as técnicas usados para o extermínio, documentos e figuras históricas que foram apresentados, os locais dos campos de morte e também, a existência das câmaras de gás.
Nas palavras do próprio Krause: “O cerne das afirmações dos revisionistas consiste na negação do assassinato em massa dos judeus europeus.” O segundo grande Conflito Mundial teria sido imposta aos alemães, a Justiça das potências vencedoras seriam as responsáveis pela imposição de crimes exclusivamente aos alemães.
Inúmeros assuntos são englobados nessa grande corrente caracterizada pela posição de banalização, relativização e negação (enquanto representação máxima) dos crimes do regime nazista ou do nacional-socialismo.
Mais uma vez, vale repetir que a negação dos assassinatos em massa nas chamadas câmaras de gás é o foco da confrontação política e jurídica dos últimos dez anos.As mortes
no tenebroso campo de Auschwitz teriam sido causadas por fome e epidemias (vale a reflexão critica e a observação de até onde pode chegar a hipocrisia humana).
Existem diversas nuances ou gradações, qualitativamente falando, da opinião dos que negam a ocorrência dos extermínios do campo anteriormente mencionado. Mas é importante notar também o quanto esse revisionismo vem tomando posições cada vez mais crescentes. Segundo Krause “O revisionismo tomou-se uma enorme rede internacional de instituos que possuem um programa de publicações de livros e revistas, principalmente nos Estados Unidos e na Bélgica. São realizados simpósios e conferências e, além disso, a Internet é utilizada intensivamente há bastante tempo. Somente na Alemanha existem mais de 300 sites dedicados ao revisionismo (...)”.
Como dito, os níveis de argumentação dos negadores de Auschwitz são diversos. Por dentro desse conjunto maior da postura dos revisionistas podemos observar o tratamento tendencioso dos testemunhos das vítimas, a concepção alemã enquanto vítima da guerra, a descontextualização de documentos e de alguns fatos históricos etc.
Para finalizar é preciso ter em mente que “dificilmente teremos condições de discutir com os próprios defensores da negação, dado o ponto ao qual eles chegaram, enterrando a si próprios numa atitude de isolamento e encapsulamento.” De nossa parte, compete uma posição firme e argumentativa em oposição aos defensores da corrente de negação.
Paul Rassinier (francês, ex-socialista e ex-prisioneiro do campo de concentração de Buchenwaid) é o nome daquele que conseguiu sucesso das primeiras declarações negacionistas . Dentre os inúmeros pontos que são negados por essa geração de revisionistas, temos por exemplo: o número de pessoas assassinadas, as técnicas usados para o extermínio, documentos e figuras históricas que foram apresentados, os locais dos campos de morte e também, a existência das câmaras de gás.
Nas palavras do próprio Krause: “O cerne das afirmações dos revisionistas consiste na negação do assassinato em massa dos judeus europeus.” O segundo grande Conflito Mundial teria sido imposta aos alemães, a Justiça das potências vencedoras seriam as responsáveis pela imposição de crimes exclusivamente aos alemães.
Inúmeros assuntos são englobados nessa grande corrente caracterizada pela posição de banalização, relativização e negação (enquanto representação máxima) dos crimes do regime nazista ou do nacional-socialismo.
Mais uma vez, vale repetir que a negação dos assassinatos em massa nas chamadas câmaras de gás é o foco da confrontação política e jurídica dos últimos dez anos.As mortes
no tenebroso campo de Auschwitz teriam sido causadas por fome e epidemias (vale a reflexão critica e a observação de até onde pode chegar a hipocrisia humana).
Existem diversas nuances ou gradações, qualitativamente falando, da opinião dos que negam a ocorrência dos extermínios do campo anteriormente mencionado. Mas é importante notar também o quanto esse revisionismo vem tomando posições cada vez mais crescentes. Segundo Krause “O revisionismo tomou-se uma enorme rede internacional de instituos que possuem um programa de publicações de livros e revistas, principalmente nos Estados Unidos e na Bélgica. São realizados simpósios e conferências e, além disso, a Internet é utilizada intensivamente há bastante tempo. Somente na Alemanha existem mais de 300 sites dedicados ao revisionismo (...)”.
Como dito, os níveis de argumentação dos negadores de Auschwitz são diversos. Por dentro desse conjunto maior da postura dos revisionistas podemos observar o tratamento tendencioso dos testemunhos das vítimas, a concepção alemã enquanto vítima da guerra, a descontextualização de documentos e de alguns fatos históricos etc.
Para finalizar é preciso ter em mente que “dificilmente teremos condições de discutir com os próprios defensores da negação, dado o ponto ao qual eles chegaram, enterrando a si próprios numa atitude de isolamento e encapsulamento.” De nossa parte, compete uma posição firme e argumentativa em oposição aos defensores da corrente de negação.
domingo, 8 de junho de 2008
Resenha do filme: O Triunfo da Vontade - Leni Riefenstahl
O filme em questão tem a direção de Leni Riefenstahl. O mesmo foi encomendado por Adolf Hitler como mecanismo de propagação dos eventos oficiais do Partido Nazista; portanto, serve como vitrine de toda doutrina do regime nazista. Artista famosa, Leni foi a pessoa responsável pelo profissionalismo e talento ao filme documentário político alemão. “Riefenstahl impõe às imagens dois objetivos: a glorificação do partido nazista e a deificação de Adolf Hitler.” Na opinião de críticos: “O Triunfo da Vontade combinava as ambições artísticas de Riefenstahl de fazer obras de grande apelo emocional e a necessidade por parte do partido nazista de uma produção que gerasse uma imagem positiva em um momento em que seu poder ainda não estava inteiramente consolidado.” “O Triunfo da Vontade expressa artisticamente uma concepção heróica de vida. Muito da eficiência das estratégias de Riefenstahl vem do aspecto heróico contido nas imagens, na trilha e na combinação delas. Isto está presente na abertura do filme, nas imagens de Hitler contra o sol ou o céu, nos festivais e movimentos coreografados de soldados, na onipresença de bandeiras.”
No filme temos a evidência de uma imagem da Alemanha enquanto país sob o comando de deuses. Os discursos de figuras e lideranças do Partido Nazista mencionam a situação de desordem do país no pós Primeiro Conflito Mundial; e isso se dá com uma atitude concomitante, de olhar para si próprios e se enxergarem como caminhos únicos para solução dos problemas. “O filme se esforça para instigar os espectadores (em especial os próprios alemães da época) a endossar as realizações do partido e de seu líder, para recolocar o país em um caminho de prosperidade e poder.”
Vemos que tudo o que se passa é, a fundo, construído. As paradas militares e a importância dos soldados são mostradas, a comoção popular é fator marcante. Para finalizar, ressaltamos mais uma vez, o papel da imprensa como maior meio de divulgação de ideologias e doutrinas. Filmes como esse foram, indubitavelmente, fator de grande propagação para o Führer.
No filme temos a evidência de uma imagem da Alemanha enquanto país sob o comando de deuses. Os discursos de figuras e lideranças do Partido Nazista mencionam a situação de desordem do país no pós Primeiro Conflito Mundial; e isso se dá com uma atitude concomitante, de olhar para si próprios e se enxergarem como caminhos únicos para solução dos problemas. “O filme se esforça para instigar os espectadores (em especial os próprios alemães da época) a endossar as realizações do partido e de seu líder, para recolocar o país em um caminho de prosperidade e poder.”
Vemos que tudo o que se passa é, a fundo, construído. As paradas militares e a importância dos soldados são mostradas, a comoção popular é fator marcante. Para finalizar, ressaltamos mais uma vez, o papel da imprensa como maior meio de divulgação de ideologias e doutrinas. Filmes como esse foram, indubitavelmente, fator de grande propagação para o Führer.
Resenha do livro: O Diário de Anne Frank
O livro “O Diário de Anne Frank” conta a história da jovem Anne e de sua família tendo como pano de fundo ou contexto histórico, o regime nazista de Hitler. Anne Frank e sua família viviam inicialmente, na Alemanha; em torno de 1930 (quando da ascensão de Hitler ao poder) emigram para a Holanda onde vivem em condições de total normalidade.
À ocupação nazista na Holanda a família da jovem, por serem judeus, é obrigada a fugir. Todavia, não havia lugar em que pudessem se dirigir em caráter de total segurança. É justamente aí que começa uma verdadeira luta pela sobrevivência deles num esconderijo localizado em um velho prédio de escritórios, em Amsterdam.
Anne tinha apenas treze anos. À sua família juntam-se o casal Van Daan (e seu filho Peter) e Dussel; o abastecimento do chamado “Anexo Secreto” (livros, comida, roupa) era feito por amigos de fora . Dois anos, esse foi o período de estadia do grupo neste local mencionado até que em 1944 a Gestapo os descobriu. É, portanto, desta maneira que se tem o acesso a esta obra onde Anne fez inúmeras anotações do cotidiano, das condições miseráveis e deploráveis de sobrevivência e que consiste em material riquíssimo de análise.
Anne se caracterizava pela sagacidade, inteligência, dedicação aos estudos, por certo tom de humor e, principalmente, pelo ar dialético que se mostra em toda sua trajetória. Nesta menina vemos igualmente, uma mistura de sentimentos, uma posição de conflito interno e externo onde tudo pode ser explicado pela condição subumana de seu desenvolvimento. Nas palavras de João Etienne Filho: “O relato de Anne da vida diária e de como, apesar do perigo comum, ninguém conseguia se abrir, é comentário judicioso e fascinante sobre o comportamento humano e seus paradoxos espantosos.” O que também é objeto de análise é o processo de auto-descobrimento da jovem. “É o auto-retrato de uma jovem no limiar da maturidade, momento em que o diário de sua vida atinge a trágica e derradeira página.”
A história de Anne que desponta também como um “apelo” contra o racismo se encerra de uma maneira lamentável, assim como de inúmeras outras jovens das quais não existe conhecimento de suas histórias diretamente. Morre em um campo de concentração (seu pai é o único sobrevivente); fica porém a “magia da jovem” ao se concretizar o seu livro enquanto representação de seu sonho (justamente, o de ser escritora).
Diante do que foi exposto, fica claro que o tom comovente, reflexivo e de grande emotividade desta obra faz da mesma um clássico. Torna-se uma obra prima sem a intenção de assim o ser.
À ocupação nazista na Holanda a família da jovem, por serem judeus, é obrigada a fugir. Todavia, não havia lugar em que pudessem se dirigir em caráter de total segurança. É justamente aí que começa uma verdadeira luta pela sobrevivência deles num esconderijo localizado em um velho prédio de escritórios, em Amsterdam.
Anne tinha apenas treze anos. À sua família juntam-se o casal Van Daan (e seu filho Peter) e Dussel; o abastecimento do chamado “Anexo Secreto” (livros, comida, roupa) era feito por amigos de fora . Dois anos, esse foi o período de estadia do grupo neste local mencionado até que em 1944 a Gestapo os descobriu. É, portanto, desta maneira que se tem o acesso a esta obra onde Anne fez inúmeras anotações do cotidiano, das condições miseráveis e deploráveis de sobrevivência e que consiste em material riquíssimo de análise.
Anne se caracterizava pela sagacidade, inteligência, dedicação aos estudos, por certo tom de humor e, principalmente, pelo ar dialético que se mostra em toda sua trajetória. Nesta menina vemos igualmente, uma mistura de sentimentos, uma posição de conflito interno e externo onde tudo pode ser explicado pela condição subumana de seu desenvolvimento. Nas palavras de João Etienne Filho: “O relato de Anne da vida diária e de como, apesar do perigo comum, ninguém conseguia se abrir, é comentário judicioso e fascinante sobre o comportamento humano e seus paradoxos espantosos.” O que também é objeto de análise é o processo de auto-descobrimento da jovem. “É o auto-retrato de uma jovem no limiar da maturidade, momento em que o diário de sua vida atinge a trágica e derradeira página.”
A história de Anne que desponta também como um “apelo” contra o racismo se encerra de uma maneira lamentável, assim como de inúmeras outras jovens das quais não existe conhecimento de suas histórias diretamente. Morre em um campo de concentração (seu pai é o único sobrevivente); fica porém a “magia da jovem” ao se concretizar o seu livro enquanto representação de seu sonho (justamente, o de ser escritora).
Diante do que foi exposto, fica claro que o tom comovente, reflexivo e de grande emotividade desta obra faz da mesma um clássico. Torna-se uma obra prima sem a intenção de assim o ser.
domingo, 1 de junho de 2008
VIZENTINI, Paulo F. “O ressurgimento da extrema direita e do neonazismo: a dimensão histórica e internacional” In: MILMAN, Luis, VIZENTINI, Paulo. Neo
O artigo em questão é da autoria de Paulo Fagundes Vizentini, historiador e cientista político. Mais uma vez o recurso retórico da citação é válido para se ter a tese central do artigo aqui trabalhado; diz Vizentini na introdução: “Os acontecimentos no mundo têm reforçado a importância da reflexão sobre o neonazismo e a extrema direita. A preocupação ao abordar esse tema, não se restringe à idéia de um movimento político em si, ou a questões exclusivamente de origens sociais, éticas ou filosóficas ligadas a essa temática, mas sim contribuir a partir de uma dimensão histórica, principalmente calcada nos problemas internacionais, que estão por detrás desse ressurgimento, já que, infelizmente, esse é um fenômeno que não está conhecendo fronteiras no mundo inteiro. Somente por essa breve e, concomitantemente, densa introdução já se pode ter um debate amplo sobre a questão desse reaparecimento dos fenômenos ou dos regimes de extrema direita e da própria ação tida como neonazista.
Como já apontando em tantos textos relativos a temas semelhantes, temos na década de 80/90 uma explosão dessas tendências neonazistas por diversas partes do continente europeu; o nazismo se liga a crise do sistema liberal característico da década de 1920, a sua derrota em 1945 não representa, portanto, o extermínio ideológico efetivo. “Por que razões somos surpreendidos pelo resurgimento, com muita força, desses movimentos? É necessário considerar alguns outros aspectos históricos que também são relevantes.”
Quando se pensa em toda essa complexidade do fenômeno fascista, tem-se que refletir sobre até que ponto esse “sucesso” ou experiência bem-sucedida não teve apoio em grande parte, da própria população; fato que é muitas vezes tido como irrelevante e cai no esquecimento de tantos. Outro ponto destacado por Vizentini é o fato de o regime sobreviver diluído e, até mesmo, encarregando-se de algumas tarefas supletivas.
O autor faz um apanhado histórico de enorme serventia e que nos serve como necessária localização espaço temporal. Fala do declínio dos “anos dourados” com a chamada crise do setor petrolífero e sua conseqüente repercussão mundial. Fala igualmente das diversas revoluções ultranacionalistas. A diminuição da solidariedade e do “olhar de piedade” das grandes potências para com o Terceiro Mundo assim como uma mudança no enfoque dos europeus no condizente às questões sociais também é tema contido no trabalho de Vizentini. O descontentamento da juventude com a sociedade de consumo acabou por desencadear os movimentos de contracultura nos anos 1960 que desaguarão no tão falado fenômeno do skinheads.
Inúmeros e os mais divergentes problemas vão marcar a posterior década de 1980 com uma atitude de irracionalismo (já tidas anteriormente) ao ponto disto servir até mesmo como um paradigma. A idéia da pós-modernidade: “(...) O pensamento de que o mundo é inexplicável, contraditório e fragmentado; a realidade seria fragmentada e não poderia ser compreendida na sua totalidade.” O que é fortuito de análise é porque e como categorias da população aderiram a esses movimentos.
O autor termina falando dos riscos e possíveis conseqüências dessa tendência de ressurgimento do nazismo; “(...) Estamos vivendo uma espécie de esgotamento, declínio e em alguns pontos, até colapso de uma ordem que existiu anteriormente. E o que irá substituir isto, ainda não está construído.”
Como já apontando em tantos textos relativos a temas semelhantes, temos na década de 80/90 uma explosão dessas tendências neonazistas por diversas partes do continente europeu; o nazismo se liga a crise do sistema liberal característico da década de 1920, a sua derrota em 1945 não representa, portanto, o extermínio ideológico efetivo. “Por que razões somos surpreendidos pelo resurgimento, com muita força, desses movimentos? É necessário considerar alguns outros aspectos históricos que também são relevantes.”
Quando se pensa em toda essa complexidade do fenômeno fascista, tem-se que refletir sobre até que ponto esse “sucesso” ou experiência bem-sucedida não teve apoio em grande parte, da própria população; fato que é muitas vezes tido como irrelevante e cai no esquecimento de tantos. Outro ponto destacado por Vizentini é o fato de o regime sobreviver diluído e, até mesmo, encarregando-se de algumas tarefas supletivas.
O autor faz um apanhado histórico de enorme serventia e que nos serve como necessária localização espaço temporal. Fala do declínio dos “anos dourados” com a chamada crise do setor petrolífero e sua conseqüente repercussão mundial. Fala igualmente das diversas revoluções ultranacionalistas. A diminuição da solidariedade e do “olhar de piedade” das grandes potências para com o Terceiro Mundo assim como uma mudança no enfoque dos europeus no condizente às questões sociais também é tema contido no trabalho de Vizentini. O descontentamento da juventude com a sociedade de consumo acabou por desencadear os movimentos de contracultura nos anos 1960 que desaguarão no tão falado fenômeno do skinheads.
Inúmeros e os mais divergentes problemas vão marcar a posterior década de 1980 com uma atitude de irracionalismo (já tidas anteriormente) ao ponto disto servir até mesmo como um paradigma. A idéia da pós-modernidade: “(...) O pensamento de que o mundo é inexplicável, contraditório e fragmentado; a realidade seria fragmentada e não poderia ser compreendida na sua totalidade.” O que é fortuito de análise é porque e como categorias da população aderiram a esses movimentos.
O autor termina falando dos riscos e possíveis conseqüências dessa tendência de ressurgimento do nazismo; “(...) Estamos vivendo uma espécie de esgotamento, declínio e em alguns pontos, até colapso de uma ordem que existiu anteriormente. E o que irá substituir isto, ainda não está construído.”
sábado, 24 de maio de 2008
Resenha do filme: Arquitetura da Destruição/ Peter Cohen
O filme em questão, de Peter Cohen, trata do fenômeno do nazismo sob a ótica da arte; é importante destacar que o mesmo tinha como princípio básico o embelezamento do mundo ainda que isso implicasse em uma atitude destruidora. Traçando a trajetória de Hitler e de alguns de seus colaboradores justamente com a arte, podemos notar que o líder nazista teve o sonho de tornar-se artista (“Como eu gostaria de trabalhar com arte”, afirma Adolf Hitler). Logo na noite em que ascendeu ao poder falou sobre Arquitetura; chegou a efetivar diversas gravuras que vieram a ser usadas como modelo em obras arquitetônicas, portanto, vemos que esse seu sonho arquitetônico era de extremas proporções. A importância da arte no mecanismo da propaganda teve papel fundamental no desenvolvimento do nazismo em toda a Alemanha; a arte da modernidade foi tida como “degenerada”, ou seja, passou-se a fazer uma associação entre esta e o bolchevismo e os judeus. “Para os nazistas, as obras modernas distorciam o valor humano e na verdade representavam as deformações genéticas existentes na sociedade; em oposição defende o ideal de beleza como sinônimo de saúde e consequentemente com a eliminação de todas as doenças que pudessem deformar o "corpo" do povo.”
A limpeza é a palavra-chave que realiza a conexão com esse ideal de embelezamento do qual Hitler trata: “O maior principio da saúde, é a beleza.” Mais uma vez, vale ser transcrito uma passagem de um crítico a respeito do documentário: “ (...) Os nazistas consideram que ao garantir ao trabalhador a saúde e a limpeza, libertam-no de sua condição proletária e, garantem-lhe dignidade de burguês, eliminando portanto a luta de classes.A Guerra é vista como uma arte. Com cenas de época, oficiais, mostra-nos a visita de Hitler à Paris logo após a ocupação: O Fuher chega de avião durante a madrugada, visita a Ópera, o Arco do Triunfo, alguns prédios imponentes. Volta para a Alemanha no mesmo dia.O domínio sobre a França, Bélgica, Holanda possibilitaram aos nazistas a pilhagem de obras de arte. Em 1941 a conquista da Grécia; nova viagem de Hitler, que tinha na beleza da antigüidade um de seus modelos.”
Diante do que já foi exposto, finalmente devemos assinalar que o ideal de purificação procurado de maneira bastante exacerbada por Adolf Hitler implicou em uma intesa perseguição e eliminação do povo judeu; seria até mesmo desnecessário falar que esta perseguição não se deu somente no âmbito racial, mas também no cultural.
A limpeza é a palavra-chave que realiza a conexão com esse ideal de embelezamento do qual Hitler trata: “O maior principio da saúde, é a beleza.” Mais uma vez, vale ser transcrito uma passagem de um crítico a respeito do documentário: “ (...) Os nazistas consideram que ao garantir ao trabalhador a saúde e a limpeza, libertam-no de sua condição proletária e, garantem-lhe dignidade de burguês, eliminando portanto a luta de classes.A Guerra é vista como uma arte. Com cenas de época, oficiais, mostra-nos a visita de Hitler à Paris logo após a ocupação: O Fuher chega de avião durante a madrugada, visita a Ópera, o Arco do Triunfo, alguns prédios imponentes. Volta para a Alemanha no mesmo dia.O domínio sobre a França, Bélgica, Holanda possibilitaram aos nazistas a pilhagem de obras de arte. Em 1941 a conquista da Grécia; nova viagem de Hitler, que tinha na beleza da antigüidade um de seus modelos.”
Diante do que já foi exposto, finalmente devemos assinalar que o ideal de purificação procurado de maneira bastante exacerbada por Adolf Hitler implicou em uma intesa perseguição e eliminação do povo judeu; seria até mesmo desnecessário falar que esta perseguição não se deu somente no âmbito racial, mas também no cultural.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
PAXTON. Op. Cit.,Capítulo 7: p. 283-334
Outras épocas, outros lugares
Este trabalho tem como ponto inicial as seguintes indagações: “O fascismo teria acabado?” / “Haveria a possibilidade de um Quarto Reich ou algo equivalente estar sendo gestado?” / “(...), existiriam condições nas quais algum tipo de neofascismo poderia vir a se tornar um agente poderoso o suficiente para exercer influência sobre as políticas de um sistema de governo?”
É indispensável apontar a repugnância inspirada pelo regime fascista clássico como o maior entrave ao seu ressurgimento no pós-1945. Outros aspectos (tais como a globalização e a redução da credibilidade da ameaça revolucionária), concomitantemente, desempenham esse papel-chave. Na década de 1990, diversos acontecimentos foram causa de dúvida do término do regime.
A difícil e complexa definição do que é fascismo é salutar para se acreditar ou não na recorrência do mesmo. Aqueles que afirmam que ele está voltando têm a tendência de evidenciá-lo como um racismo e um nacionalismo violentos. Contudo, a visão objetada mais freqüente é o desmantelamento das condições antes existentes (aquelas contemporâneas da Europa do entre - guerras), o que não significa a não mais existência do próprio regime.
Paxton fala na dissipação natural dos tabus de 1945 com o desaparecimento da geração que presenciou os acontecimentos de maneira direta. Mas assinala que um fascismo do futuro não teria, necessariamente, que ter completa similitude ao clássico. Novos fascismos dariam preferência aos trajes típicos e patrióticos de seus países de origem; não à suástica. Não existe um critério indumentário para se estabelecer o que é ser fascista ou não. As chamadas “cópias idênticas” ou “cópias fiéis” do fascismo clássico parecem em certa medida, utópicas. A inexistência da mesma conjuntura (como já foi mencionado) e somado a isso, o caráter exótico e/ou chocante torna difícil a conquista de seguidores.
A Europa Ocidental é a região onde o legado fascista é mais forte. Mesmo com a perversidade do regime fascista, alguns de seus seguidores mantiveram-se fiéis. O fenômeno do neofascismo não é obra apenas da Alemanha ou da Itália; as exaustas potências do Segundo Conflito Mundial (tais como França e Inglaterra) sofreram brutas humilhações e perderam, indubitavelmente, o título de Grandes Potências que lhe eram próprios. Nos anos seguintes da ocorrência da Guerra, a direita radical obteve pouco sucesso no jogo eleitoral mas conseguiu levar a público a questão racial assim como a obtenção de influência sobre a política nacional.
Nos anos de 1980 e 1990, indo a uma tendência contrária da esperada, se observa um novo ímpeto a essa direita radical. Destaque especial às crises do petróleo (1973 e 1979) que geram uma instabilidade econômica fora dos padrões normais e a questão social onde se passava a exigir uma mão-de-obra cada vez mais altamente capacitada. A imigração passou a ser vista de maneira negativa, pois representava uma concorrência. “O colapso da solidariedade e da segurança para grande parte da classe trabalhadora européia, que teve início na década de 1970, foi agravado pela chegada à Europa Ocidental de levas de imigrantes do Terceiro Mundo, ao longo do pós-guerra. Em tempos de fartura, os imigrantes eram bem-vindos, porque vinham assumir o trabalho sujo recusado pela força de trabalho nacional. Mas quando, pela primeira vez desde a Grande Depressão, os europeus passaram a enfrentar o desemprego estrutural, os imigrantes deixaram ter boa acolhida.” (p.295)
Diante da passagem acima exposta, fica claro que os ressentimentos à força imigratória serviram de base ao programa dos movimentos radicais da Europa Ocidental a partir da década de 1970. O fenômeno do skinhead é exemplo típico de força de jovens agressivos de ataque a gays, africanos, imigrantes entre outros grupos.
Por fim o autor usa de um método comparativo entre as ditaduras latino-americanas e os regimes nazi/fascistas onde não nega semelhanças, mas chama a atenção para divergências no âmbito estrutural e de função e relação com a sociedade.
Retornamos as perguntas iniciais. O que fica explicado? Justamente que “não temos que procurar por réplicas exatas” desses regimes. Formas hoje existente, logicamente de maneira distinta, podem não ser menos perigosas.
Este trabalho tem como ponto inicial as seguintes indagações: “O fascismo teria acabado?” / “Haveria a possibilidade de um Quarto Reich ou algo equivalente estar sendo gestado?” / “(...), existiriam condições nas quais algum tipo de neofascismo poderia vir a se tornar um agente poderoso o suficiente para exercer influência sobre as políticas de um sistema de governo?”
É indispensável apontar a repugnância inspirada pelo regime fascista clássico como o maior entrave ao seu ressurgimento no pós-1945. Outros aspectos (tais como a globalização e a redução da credibilidade da ameaça revolucionária), concomitantemente, desempenham esse papel-chave. Na década de 1990, diversos acontecimentos foram causa de dúvida do término do regime.
A difícil e complexa definição do que é fascismo é salutar para se acreditar ou não na recorrência do mesmo. Aqueles que afirmam que ele está voltando têm a tendência de evidenciá-lo como um racismo e um nacionalismo violentos. Contudo, a visão objetada mais freqüente é o desmantelamento das condições antes existentes (aquelas contemporâneas da Europa do entre - guerras), o que não significa a não mais existência do próprio regime.
Paxton fala na dissipação natural dos tabus de 1945 com o desaparecimento da geração que presenciou os acontecimentos de maneira direta. Mas assinala que um fascismo do futuro não teria, necessariamente, que ter completa similitude ao clássico. Novos fascismos dariam preferência aos trajes típicos e patrióticos de seus países de origem; não à suástica. Não existe um critério indumentário para se estabelecer o que é ser fascista ou não. As chamadas “cópias idênticas” ou “cópias fiéis” do fascismo clássico parecem em certa medida, utópicas. A inexistência da mesma conjuntura (como já foi mencionado) e somado a isso, o caráter exótico e/ou chocante torna difícil a conquista de seguidores.
A Europa Ocidental é a região onde o legado fascista é mais forte. Mesmo com a perversidade do regime fascista, alguns de seus seguidores mantiveram-se fiéis. O fenômeno do neofascismo não é obra apenas da Alemanha ou da Itália; as exaustas potências do Segundo Conflito Mundial (tais como França e Inglaterra) sofreram brutas humilhações e perderam, indubitavelmente, o título de Grandes Potências que lhe eram próprios. Nos anos seguintes da ocorrência da Guerra, a direita radical obteve pouco sucesso no jogo eleitoral mas conseguiu levar a público a questão racial assim como a obtenção de influência sobre a política nacional.
Nos anos de 1980 e 1990, indo a uma tendência contrária da esperada, se observa um novo ímpeto a essa direita radical. Destaque especial às crises do petróleo (1973 e 1979) que geram uma instabilidade econômica fora dos padrões normais e a questão social onde se passava a exigir uma mão-de-obra cada vez mais altamente capacitada. A imigração passou a ser vista de maneira negativa, pois representava uma concorrência. “O colapso da solidariedade e da segurança para grande parte da classe trabalhadora européia, que teve início na década de 1970, foi agravado pela chegada à Europa Ocidental de levas de imigrantes do Terceiro Mundo, ao longo do pós-guerra. Em tempos de fartura, os imigrantes eram bem-vindos, porque vinham assumir o trabalho sujo recusado pela força de trabalho nacional. Mas quando, pela primeira vez desde a Grande Depressão, os europeus passaram a enfrentar o desemprego estrutural, os imigrantes deixaram ter boa acolhida.” (p.295)
Diante da passagem acima exposta, fica claro que os ressentimentos à força imigratória serviram de base ao programa dos movimentos radicais da Europa Ocidental a partir da década de 1970. O fenômeno do skinhead é exemplo típico de força de jovens agressivos de ataque a gays, africanos, imigrantes entre outros grupos.
Por fim o autor usa de um método comparativo entre as ditaduras latino-americanas e os regimes nazi/fascistas onde não nega semelhanças, mas chama a atenção para divergências no âmbito estrutural e de função e relação com a sociedade.
Retornamos as perguntas iniciais. O que fica explicado? Justamente que “não temos que procurar por réplicas exatas” desses regimes. Formas hoje existente, logicamente de maneira distinta, podem não ser menos perigosas.
domingo, 11 de maio de 2008
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade e holocausto. Rio de Janeiro, Jorge Zahar,1998. Capítulo “Singularidade e normalidade do holocausto” p.106 a 141
“Não é o Holocausto que achamos difícil de entender em toda sua monstruosidade. É a nossa Civilização Ocidental que o Holocausto tornou quase incompreensível (...).”
O fenômeno conhecido como Holocausto é datado de quase meio século; isto representa em certa medida e para alguns, uma posição ou atitude de esquecimento perante seus resultados. Contudo, deve-se igualmente assinalar que os “aspectos de nossa civilização outrora familiares e que o Holocausto tornou de novo misteriosos ainda fazem bem parte de nossa vida.” O que significa, segundo Zygmunt Bauman,a existência potencial do mesmo, ou seja, certo grau de similitude entre o que já aconteceu e o que pode vir a se efetivar.
O fenômeno tratado neste texto não deve ser visto simplesmente com assunto acadêmico; tudo o que representou e ainda hoje representa negam uma atitude de simples contemplação e de análise histórica.
O que representou esse extermínio em massa? Indagação complexa de ser compreendida e corretamente explicada. Mas podemos dizer que esse extermínio foi justamente a conseqüência de forma e posições antagônicas e opressivas.
A morte em massa não é fato de invenção moderna. O ódio que serve de base e movimentação pra esse extermínio em massa, passa por um âmbito que já existiu e existe ainda de maneira forte. O genocídio vem acompanhando a história da humanidade.
O que chama nossa atenção são, obviamente, os aspectos que nunca antes haviam estabelecido relação com as chamadas “mortes em massa”. Tudo isto nos sugere a ver o Holocausto tanto como um produto como um fracasso da civilização moderna.
A raiva e fúria são vistas pelo autor como bases efêmeras, grande projetos não podem se erguer sobre as mesmas; elas normalmente se exaurem antes da conclusão da tarefa (seja uma guerra, seja um genocídio).
O que mais nos leva à reflexão é a escala em que se efetivaram os genocídios modernos. Nos inúmeros exemplos de genocídios nunca se constatou um número tão exacerbado de gente assinada em curto espaço de tempo quanto na vigência de Hitler e Stálin. A ausência do caráter espontâneo e um projeto racionalmente calculado são as duas forças marcantes do assassínio em massa da contemporaneidade. O genocídio moderno é algo com um propósito, “é um elemento de engenharia social, que visa a produzir uma ordem social conforme um projeto de sociedade perfeita.” A sociedade é vista como objeto de planejamento, como projeto consciente que deve criar um mundo ideal conforme os padrões de beleza superior.
A cultura da modernidade apresenta semelhanças a um canteiro de jardim na medida em que se define como um projeto de vida ideal e um arranjo perfeito das condições humanas. O genocídio moderno (e de uma maneira geral a própria cultura moderna) é um trabalho de jardineiro.
A perseguição e morte dos indivíduos aqui tratados não foram realizadas em prol da conquista e colonização do território que ocupavam; isso se deu de uma maneira brutal e mecânica, sem qualquer estimulo a emoções humanas (nem sequer o ódio). Voltamos à questão central: por que a morte? Porque não se enquadravam a um ideal de sociedade perfeita. Isso se relaciona a um trabalho de criação, não como muitas vezes é visto, de destruição. A sociedade Comunista e a Sociedade Ariana são as representações máximas desse estado de perfeição, de sociedade racionalmente pura.
O uso da violência é menos dispendioso quando existe a utilização de métodos racionais e planejados; e o regime nazista, indubitavelmente, é uma exemplificação clara de tal afirmativa.
Finalmente o autor nos leva a pensar no papel da burocracia e de todo o aparelho tecnológico-científico nessa atmosfera de misto entre medo e possibilidade de repetição de tal acontecimento.
Diante do que foi exposto valem ser assinaladas três passagens de suma importância:
“O Holocausto é um subproduto do impulso moderno em direção a um mundo totalmente planejado e controlado, (...)” (p.117)
“O Holocausto moderno é único num duplo sentido. É único entre outros casos históricos de genocídio porque é moderno. E é único face à rotina da sociedade moderna porque traz à luz certos fatores ordinários da modernidade que normalmente são mantidos à parte.” (p.118)
“A burocracia contribuiu para a continuidade do Holocausto não apenas por sua inerente capacidade e suas técnicas, mas também por sua imanente enfermidade e afecções.” (p.130)
O fenômeno conhecido como Holocausto é datado de quase meio século; isto representa em certa medida e para alguns, uma posição ou atitude de esquecimento perante seus resultados. Contudo, deve-se igualmente assinalar que os “aspectos de nossa civilização outrora familiares e que o Holocausto tornou de novo misteriosos ainda fazem bem parte de nossa vida.” O que significa, segundo Zygmunt Bauman,a existência potencial do mesmo, ou seja, certo grau de similitude entre o que já aconteceu e o que pode vir a se efetivar.
O fenômeno tratado neste texto não deve ser visto simplesmente com assunto acadêmico; tudo o que representou e ainda hoje representa negam uma atitude de simples contemplação e de análise histórica.
O que representou esse extermínio em massa? Indagação complexa de ser compreendida e corretamente explicada. Mas podemos dizer que esse extermínio foi justamente a conseqüência de forma e posições antagônicas e opressivas.
A morte em massa não é fato de invenção moderna. O ódio que serve de base e movimentação pra esse extermínio em massa, passa por um âmbito que já existiu e existe ainda de maneira forte. O genocídio vem acompanhando a história da humanidade.
O que chama nossa atenção são, obviamente, os aspectos que nunca antes haviam estabelecido relação com as chamadas “mortes em massa”. Tudo isto nos sugere a ver o Holocausto tanto como um produto como um fracasso da civilização moderna.
A raiva e fúria são vistas pelo autor como bases efêmeras, grande projetos não podem se erguer sobre as mesmas; elas normalmente se exaurem antes da conclusão da tarefa (seja uma guerra, seja um genocídio).
O que mais nos leva à reflexão é a escala em que se efetivaram os genocídios modernos. Nos inúmeros exemplos de genocídios nunca se constatou um número tão exacerbado de gente assinada em curto espaço de tempo quanto na vigência de Hitler e Stálin. A ausência do caráter espontâneo e um projeto racionalmente calculado são as duas forças marcantes do assassínio em massa da contemporaneidade. O genocídio moderno é algo com um propósito, “é um elemento de engenharia social, que visa a produzir uma ordem social conforme um projeto de sociedade perfeita.” A sociedade é vista como objeto de planejamento, como projeto consciente que deve criar um mundo ideal conforme os padrões de beleza superior.
A cultura da modernidade apresenta semelhanças a um canteiro de jardim na medida em que se define como um projeto de vida ideal e um arranjo perfeito das condições humanas. O genocídio moderno (e de uma maneira geral a própria cultura moderna) é um trabalho de jardineiro.
A perseguição e morte dos indivíduos aqui tratados não foram realizadas em prol da conquista e colonização do território que ocupavam; isso se deu de uma maneira brutal e mecânica, sem qualquer estimulo a emoções humanas (nem sequer o ódio). Voltamos à questão central: por que a morte? Porque não se enquadravam a um ideal de sociedade perfeita. Isso se relaciona a um trabalho de criação, não como muitas vezes é visto, de destruição. A sociedade Comunista e a Sociedade Ariana são as representações máximas desse estado de perfeição, de sociedade racionalmente pura.
O uso da violência é menos dispendioso quando existe a utilização de métodos racionais e planejados; e o regime nazista, indubitavelmente, é uma exemplificação clara de tal afirmativa.
Finalmente o autor nos leva a pensar no papel da burocracia e de todo o aparelho tecnológico-científico nessa atmosfera de misto entre medo e possibilidade de repetição de tal acontecimento.
Diante do que foi exposto valem ser assinaladas três passagens de suma importância:
“O Holocausto é um subproduto do impulso moderno em direção a um mundo totalmente planejado e controlado, (...)” (p.117)
“O Holocausto moderno é único num duplo sentido. É único entre outros casos históricos de genocídio porque é moderno. E é único face à rotina da sociedade moderna porque traz à luz certos fatores ordinários da modernidade que normalmente são mantidos à parte.” (p.118)
“A burocracia contribuiu para a continuidade do Holocausto não apenas por sua inerente capacidade e suas técnicas, mas também por sua imanente enfermidade e afecções.” (p.130)
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Era dos Extremos – Capítulo 5: Contra o inimigo comum
A subida de Hitler ao poder em 1933 e sua decadência em 1945 foram fator de “causa comum” aos EUA e a URSS; indubitavelmente tal fato era ainda mais alarmante do que o medo mútuo entre as 2 grandes superpotências.
A razão pela qual isso foi estabelecido vai além do alcance das relações internacionais convencionais ou de uma mera política de influência. A junção de potências contra o poderio alemão de Hitler se justifica na medida em que o mesmo é visto como um Estado de políticas comandadas por uma ideologia. Ou seja, de que era uma potência fascista. O real interesse de cada país é que, em última análise, determinava a oposição ou o acordo.
Londres, assim como Paris, puseram em prática aquilo que conhecemos sob o nome de Política de Apaziguamento; já Moscou, inicialmente de oposição tornou-se neutra, com inúmeros ganhos territoriais. Nas palavras de Hobsbawm “(...) a lógica da guerra de Hitler acabou levando todos eles para ela, inclusive os EUA.”
A política elaborada pelo Ocidente pode ser compreendida como uma guerra ideológica de caráter internacional, não simplesmente como uma disputa entre Estados. As linhas de divisão em tal guerra seriam justamente (segundo Hobsbawm) os descendentes do Iluminismo do século XVIII e das grandes revoluções e no lado oposto, seus adversários.
Um dado importante apontado pelo autor refere-se ao governo de pelo menos dez velhos paises europeus quando findo o Segundo Conflito Mundial em 1945: eram chefiados por homens que inicialmente tinham sido rebeldes, exilados políticos ou haviam visto no seu próprio governo uma imoralidade e ilegitimidade. Vários escolhiam pela lealdade ao comunismo soviético, que suplantava a lealdade aos seus respectivos Estados.
Pouco a pouco, as vitimas do “Eixo” foram vendo as ampliações das conquistas do mesmo em direção à guerra que já em 1931, parecia ser não mais evitada. Era comum a frase: “fascismo significa guerra”. Em 1933 tem-se a subida de Hitler ao poder, este já evidenciando o seu programa e suas metas. Em 1935, a Alemanha rompia com os tratados de paz e surgia novamente como grande força militar e naval. É nesse mesmo ano que Benito Mussolini invade a Etiópia, região que passa a ser ocupada pela Itália como colônia nos anos 1936/1937. Em 1936 a Alemanha recupera a Renânia e, com a ajuda presente tanto da Itália quanto da Alemanha, explode na Espanha um grande conflito: a Guerra Civil Espanhola. As duas potencias fascistas de alinham formalmente; concomitantemente Alemanha e Japão assinam um “Pacto Anti-Comintern”. Seguindo a ordem cronológica, tem-se em 1937 a invasão da China pelo Japão o que abre caminho para uma guerra aberta; em 1938 é a vez de a Áustria ser invadida e anexada, fato que se deu sem resistência. O acordo de Munique despedaça a Tchecoslováquia, transferindo parte dela para as mãos do cada vez mais ascendente, Hitler. Como notado, mais uma vez isso se dá pacificamente.
A organização e mobilização de todas as potências de apoio contra o fascismo, “foi um triplo apelo pela união de todas as forças políticas que tinham um interesse comum em resistir ao avanço do Eixo; por uma política real de resistência; e por governos dispostos a executar essa política.”
Essa união se fazia necessária; era imperiosa para não resultar na destruição individual de cada umas das forças de oposição ao regime fascista. Foram os comunistas os protagonistas ou a encarnação da defesa da unidade antifascista.
A camada intelectual do Ocidente realizou o papel de primeira camada social mobilizada em massa contra o fascismo na década de 1930. Era ainda pequena, mas dotada de grande influência.
O que nos é passado desde então, é que existia uma ampla e inegável diferença entre reconhecer o perigo desenvolvido pelas potências formadoras do Eixo e realizar algum tipo de política de contraposição. É importante lembrar igualmente, das conseqüências drásticas do Primeiro Conflito Mundial para as potências alemã, francesa e britânica. Conseqüências estas não apenas no âmbito material, como na própria esfera humana.
Acordo ou negociação eram impossíveis com a Alemanha de Hitler porque seus objetivos eram tidos como dotados de irracionalidade e sem limite algum. “Expansão e agressão faziam parte do sistema, a menos que se aceitasse de antemão a dominação alemã (...).” A guerra, como já mencionado, parecia inevitável. O papel da ideologia fascista era de determinar os objetivos da Alemanha nazista e excluiu a realpolitik como alternativa para os adversários.
A guerra necessitava de uma preparação mas, segundo Hobsbawm, isso não foi feito. “(...) a Grã-Bretanha, certamente não estava disposta a aceitar uma Europa dominada por Hitler antes que a guerra acontecesse (...).”
O conflito espanhol antecipou e serviu pra moldar as forças que iriam destruir a força fascista. Todavia, o que é apontado também é que em 1936 (e mais ainda em 1939) as implicações do mesmo refletiam como fruto de um fato não real. Finalmente, o que devemos assinalar é o papel do regime comunista no chamado movimento de resistência. O comunismo atingiu total influência em 1945/1947 justamente por esse motivo (com exceção à Alemanha de Hitler).
A movimentação em torno da questão antifascista foi marcada por uma grande transitoriedade, assim como uma notável heterogeneidade. Todavia, conseguiu reunir uma extraordinária gama de forças; fato este que deve ser reconhecido.
A razão pela qual isso foi estabelecido vai além do alcance das relações internacionais convencionais ou de uma mera política de influência. A junção de potências contra o poderio alemão de Hitler se justifica na medida em que o mesmo é visto como um Estado de políticas comandadas por uma ideologia. Ou seja, de que era uma potência fascista. O real interesse de cada país é que, em última análise, determinava a oposição ou o acordo.
Londres, assim como Paris, puseram em prática aquilo que conhecemos sob o nome de Política de Apaziguamento; já Moscou, inicialmente de oposição tornou-se neutra, com inúmeros ganhos territoriais. Nas palavras de Hobsbawm “(...) a lógica da guerra de Hitler acabou levando todos eles para ela, inclusive os EUA.”
A política elaborada pelo Ocidente pode ser compreendida como uma guerra ideológica de caráter internacional, não simplesmente como uma disputa entre Estados. As linhas de divisão em tal guerra seriam justamente (segundo Hobsbawm) os descendentes do Iluminismo do século XVIII e das grandes revoluções e no lado oposto, seus adversários.
Um dado importante apontado pelo autor refere-se ao governo de pelo menos dez velhos paises europeus quando findo o Segundo Conflito Mundial em 1945: eram chefiados por homens que inicialmente tinham sido rebeldes, exilados políticos ou haviam visto no seu próprio governo uma imoralidade e ilegitimidade. Vários escolhiam pela lealdade ao comunismo soviético, que suplantava a lealdade aos seus respectivos Estados.
Pouco a pouco, as vitimas do “Eixo” foram vendo as ampliações das conquistas do mesmo em direção à guerra que já em 1931, parecia ser não mais evitada. Era comum a frase: “fascismo significa guerra”. Em 1933 tem-se a subida de Hitler ao poder, este já evidenciando o seu programa e suas metas. Em 1935, a Alemanha rompia com os tratados de paz e surgia novamente como grande força militar e naval. É nesse mesmo ano que Benito Mussolini invade a Etiópia, região que passa a ser ocupada pela Itália como colônia nos anos 1936/1937. Em 1936 a Alemanha recupera a Renânia e, com a ajuda presente tanto da Itália quanto da Alemanha, explode na Espanha um grande conflito: a Guerra Civil Espanhola. As duas potencias fascistas de alinham formalmente; concomitantemente Alemanha e Japão assinam um “Pacto Anti-Comintern”. Seguindo a ordem cronológica, tem-se em 1937 a invasão da China pelo Japão o que abre caminho para uma guerra aberta; em 1938 é a vez de a Áustria ser invadida e anexada, fato que se deu sem resistência. O acordo de Munique despedaça a Tchecoslováquia, transferindo parte dela para as mãos do cada vez mais ascendente, Hitler. Como notado, mais uma vez isso se dá pacificamente.
A organização e mobilização de todas as potências de apoio contra o fascismo, “foi um triplo apelo pela união de todas as forças políticas que tinham um interesse comum em resistir ao avanço do Eixo; por uma política real de resistência; e por governos dispostos a executar essa política.”
Essa união se fazia necessária; era imperiosa para não resultar na destruição individual de cada umas das forças de oposição ao regime fascista. Foram os comunistas os protagonistas ou a encarnação da defesa da unidade antifascista.
A camada intelectual do Ocidente realizou o papel de primeira camada social mobilizada em massa contra o fascismo na década de 1930. Era ainda pequena, mas dotada de grande influência.
O que nos é passado desde então, é que existia uma ampla e inegável diferença entre reconhecer o perigo desenvolvido pelas potências formadoras do Eixo e realizar algum tipo de política de contraposição. É importante lembrar igualmente, das conseqüências drásticas do Primeiro Conflito Mundial para as potências alemã, francesa e britânica. Conseqüências estas não apenas no âmbito material, como na própria esfera humana.
Acordo ou negociação eram impossíveis com a Alemanha de Hitler porque seus objetivos eram tidos como dotados de irracionalidade e sem limite algum. “Expansão e agressão faziam parte do sistema, a menos que se aceitasse de antemão a dominação alemã (...).” A guerra, como já mencionado, parecia inevitável. O papel da ideologia fascista era de determinar os objetivos da Alemanha nazista e excluiu a realpolitik como alternativa para os adversários.
A guerra necessitava de uma preparação mas, segundo Hobsbawm, isso não foi feito. “(...) a Grã-Bretanha, certamente não estava disposta a aceitar uma Europa dominada por Hitler antes que a guerra acontecesse (...).”
O conflito espanhol antecipou e serviu pra moldar as forças que iriam destruir a força fascista. Todavia, o que é apontado também é que em 1936 (e mais ainda em 1939) as implicações do mesmo refletiam como fruto de um fato não real. Finalmente, o que devemos assinalar é o papel do regime comunista no chamado movimento de resistência. O comunismo atingiu total influência em 1945/1947 justamente por esse motivo (com exceção à Alemanha de Hitler).
A movimentação em torno da questão antifascista foi marcada por uma grande transitoriedade, assim como uma notável heterogeneidade. Todavia, conseguiu reunir uma extraordinária gama de forças; fato este que deve ser reconhecido.
domingo, 6 de abril de 2008
“A anatomia do fascismo” (Capítulo 8) Robert O. Paxton
A análise do fenômeno do fascismo deve levar em conta tanto a etapa inicial do processo, quanto a final. O mesmo é resultante mais de uma rede de relações que de uma essência previamente fixa e estável.
Interpretações conflitantes
Indubitavelmente, a constatação fascista enquanto instrumento do sistema capitalista é equivocada. Outro aspecto que merece ser destacado é a ligação de interesse mútuo da comunidade empresarial ao regime em questão. “O capitalismo e o fascismo tornaram-se aliados práticos (embora não inevitáveis, e nem sempre confortáveis).” É retratada também a ideologia oposta, ou seja, a da comunidade empresarial como vítima do regime. Na verdade o que deve ser objeto de análise é o público fascista e não os líderes, tais como Hitler ou Benito Mussolini.
Outra análise de igual teor errôneo é o desenvolvimento desigual como desencadeador das crises pré-fascistas. Tal concepção é empiricamente enfraquecida pela economia “dual” da França na qual a coexistência do setor camponês com a indústria moderna é patente. Outra abordagem com pouco apoio se refere ao nivelamento urbano e industrial como fator- chave da produção de uma sociedade de massas atomizadas, “na qual os fornecedores de ódios simplistas encontravam audiências prontas.”
Uma corrente de notada influência tem como cerne o caráter ditatorial desenvolvimentista do regime, que tinha como intenção a aceleração do crescimento industrial pela poupança forçada e pelo acúmulo de força de trabalho. Entra em erro, todavia, já que supõe uma perseguição a um tipo de objetivo racional.
Interpretar o regime fascista quanto a sua composição social também se revelou tentador. Experiências recentes colocam em dúvida que o recrutamento fascista se localizasse numa camada social em particular. Estudiosos diversos, vêem no fascismo uma subespécie do chamado totalitarismo. “Em fins do século XX, (...) o modelo totalitário voltou à moda, juntamente com o seu corolário de que nazismo e comunismo representavam um mesmo mal. A interpretação totalitária do fascismo foi tão acaloradamente politizada quanto a do marxismo. Mesmo assim, deve ser debatida em termos de seus próprios méritos.”No nazismo de Hitler e no comunismo de Stálin “a lei estava subordinada aos imperativos mais “altos” da raça ou da classe. Concentrar o foco nas técnicas de controle, contudo, pode fazer com que diferenças importantes sejam obscurecidas.” Stálin diferia de Hitler em relação aos aspecto de dinâmica social e de objetivos (para um, a superioridade racial; para o outro, a igualdade universal). Hitler perseguia e matava seus inimigos de raça enquanto Stálin matava seus opositores de classe.
Não apenas na Alemanha, como também na Itália, regime fascista e religião eram ingredientes de uma mesma receita; portanto, incluía cooperação mútua de forças em oposição ao regime comunista. Concomitantemente, competiam pelo mesmo território.
Uma estratégia metodológica/intelectual que tem sido utilizada desde a década de 70 traduz a cultura fascista através de um olhar antropológico ou etnográfico; e a mesma mostra exatamente como o regime fascista aparecia aos olhos do público. Achar uma “estética fascista única e imutável” que se aplique em todo e qualquer regime fascista é de reduzida chance. Outro problema típico do estudo dessas culturas fascistas é a dificuldade de estabelecimento de comparações entre as mesmas.
Fronteiras
Entender o fascismo, necessita traçar um limite com outras formas que se assemelhem a ele. A menos rebuscada dessas fronteiras separa o regime da chamada tirania clássica; fácil é confundir o mesmo com as ditaduras militares (“ambos os líderes militarizaram suas sociedades e colocaram as guerras de reconquista como uma meta central”).
O caráter militar se evidencia em todos os regimes militares, mas nem todos estes são dotados de aspectos fascistas. Este mencionado regime ou ditadura militar é mais comumente praticada por não coexistir com democracias decadentes.
Os limites fascismo/ autoritarismo são extremamente tênues. Contudo, o segundo não compartilha do ideário de redução a escala zero do âmbito privado. O partido único não consiste no agente principal de controle e coerção social nos regimes de autoritarismo. Os fascistas estão sempre na busca do engajamento e excitação do seu público; os autoritários são adeptos da passividade e da desmobilização por parte de seus seguidores e além disso, hesitam na intervenção da economia.
O que é o fascismo?
“O fascismo tem que ser definido como uma forma de comportamento político marcada por uma preocupação obsessiva com a decadência e a humilhação da comunidade, vista como vitima, e por cultos compensatórios da unidade, da energia e da pureza, nas quais o partido de base popular formado por militantes nacionalistas engajados, (...) com as elites tradicionais, repudia as liberdades democráticas e passa a perseguir objetivos de limpeza étnica e expansão externa por meio de uma violência redentora e sem estar submetido a restrições éticas ou legais de qualquer natureza.”
Interpretações conflitantes
Indubitavelmente, a constatação fascista enquanto instrumento do sistema capitalista é equivocada. Outro aspecto que merece ser destacado é a ligação de interesse mútuo da comunidade empresarial ao regime em questão. “O capitalismo e o fascismo tornaram-se aliados práticos (embora não inevitáveis, e nem sempre confortáveis).” É retratada também a ideologia oposta, ou seja, a da comunidade empresarial como vítima do regime. Na verdade o que deve ser objeto de análise é o público fascista e não os líderes, tais como Hitler ou Benito Mussolini.
Outra análise de igual teor errôneo é o desenvolvimento desigual como desencadeador das crises pré-fascistas. Tal concepção é empiricamente enfraquecida pela economia “dual” da França na qual a coexistência do setor camponês com a indústria moderna é patente. Outra abordagem com pouco apoio se refere ao nivelamento urbano e industrial como fator- chave da produção de uma sociedade de massas atomizadas, “na qual os fornecedores de ódios simplistas encontravam audiências prontas.”
Uma corrente de notada influência tem como cerne o caráter ditatorial desenvolvimentista do regime, que tinha como intenção a aceleração do crescimento industrial pela poupança forçada e pelo acúmulo de força de trabalho. Entra em erro, todavia, já que supõe uma perseguição a um tipo de objetivo racional.
Interpretar o regime fascista quanto a sua composição social também se revelou tentador. Experiências recentes colocam em dúvida que o recrutamento fascista se localizasse numa camada social em particular. Estudiosos diversos, vêem no fascismo uma subespécie do chamado totalitarismo. “Em fins do século XX, (...) o modelo totalitário voltou à moda, juntamente com o seu corolário de que nazismo e comunismo representavam um mesmo mal. A interpretação totalitária do fascismo foi tão acaloradamente politizada quanto a do marxismo. Mesmo assim, deve ser debatida em termos de seus próprios méritos.”No nazismo de Hitler e no comunismo de Stálin “a lei estava subordinada aos imperativos mais “altos” da raça ou da classe. Concentrar o foco nas técnicas de controle, contudo, pode fazer com que diferenças importantes sejam obscurecidas.” Stálin diferia de Hitler em relação aos aspecto de dinâmica social e de objetivos (para um, a superioridade racial; para o outro, a igualdade universal). Hitler perseguia e matava seus inimigos de raça enquanto Stálin matava seus opositores de classe.
Não apenas na Alemanha, como também na Itália, regime fascista e religião eram ingredientes de uma mesma receita; portanto, incluía cooperação mútua de forças em oposição ao regime comunista. Concomitantemente, competiam pelo mesmo território.
Uma estratégia metodológica/intelectual que tem sido utilizada desde a década de 70 traduz a cultura fascista através de um olhar antropológico ou etnográfico; e a mesma mostra exatamente como o regime fascista aparecia aos olhos do público. Achar uma “estética fascista única e imutável” que se aplique em todo e qualquer regime fascista é de reduzida chance. Outro problema típico do estudo dessas culturas fascistas é a dificuldade de estabelecimento de comparações entre as mesmas.
Fronteiras
Entender o fascismo, necessita traçar um limite com outras formas que se assemelhem a ele. A menos rebuscada dessas fronteiras separa o regime da chamada tirania clássica; fácil é confundir o mesmo com as ditaduras militares (“ambos os líderes militarizaram suas sociedades e colocaram as guerras de reconquista como uma meta central”).
O caráter militar se evidencia em todos os regimes militares, mas nem todos estes são dotados de aspectos fascistas. Este mencionado regime ou ditadura militar é mais comumente praticada por não coexistir com democracias decadentes.
Os limites fascismo/ autoritarismo são extremamente tênues. Contudo, o segundo não compartilha do ideário de redução a escala zero do âmbito privado. O partido único não consiste no agente principal de controle e coerção social nos regimes de autoritarismo. Os fascistas estão sempre na busca do engajamento e excitação do seu público; os autoritários são adeptos da passividade e da desmobilização por parte de seus seguidores e além disso, hesitam na intervenção da economia.
O que é o fascismo?
“O fascismo tem que ser definido como uma forma de comportamento político marcada por uma preocupação obsessiva com a decadência e a humilhação da comunidade, vista como vitima, e por cultos compensatórios da unidade, da energia e da pureza, nas quais o partido de base popular formado por militantes nacionalistas engajados, (...) com as elites tradicionais, repudia as liberdades democráticas e passa a perseguir objetivos de limpeza étnica e expansão externa por meio de uma violência redentora e sem estar submetido a restrições éticas ou legais de qualquer natureza.”
sexta-feira, 28 de março de 2008
“A anatomia do fascismo” – Robert O. Paxton
Introdução
A invenção do fascismo
O século XX teve no fascismo uma das suas grandes inovações. Carregado de grande euforia, o mesmo representou um mecanismo de bloqueio à ação da esquerda. É com o fim da Primeira Guerra Mundial que o termo foi cunhado por Benito Mussolini para representar o “estado de ânimo” dos seus seguidores. É importante ser assinalado que o termo nasceu, oficialmente, em Milão, na data de 23 de março de 1919. E é justamente na Itália que se seguem os primeiros passos ou ensaios do referido sistema político-partidário.
Dentre suas características, o anti-capitalismo e o seu tom anti-burguês de destacam. Todavia, o tão falado anti-semistismo é muitas vezes considerado como essência do regime; o que não pode ser ratificado. Na verdade, nas próprias palavras do autor, “o que o fascismo criticava no capitalismo não era sua exploração, mas seu materialismo, sua indiferença para com a nação (...)”.
Outro fator de caráter dialético é relativo à modernização, pois muitas vezes os fascistas declaravam uma ideologia agrária livre dos conflitos do modo de vida urbano; mas quantas não são as vezes que se vê uma idolatria a bens como carros e aviões de alta capacidade? O ritmo da industrialização, indubitavelmente, é acelerado quando da chegada ao poder do regime. Portanto, é igualmente falível afirmar que o fascismo representa uma reação antimodernista ou ditadura da modernização. Foram os artesãos e os camponeses que formam a base inicial de apoio ao regime.
O destaque da historiografia referente ao drama da trajetória fascista vale ser assinalado. O apoio da população e até mesmo a sua conivência é esquecido; “Eles jamais teriam crescido sem a ajuda das pessoas comuns (...)”
O que de fato fica evidente quando estudamos o tema é que os desacordos às interpretações, partem de estratégias intelectuais divergentes.O fascismo tem na emoção e no apelo uma chave para o seu desempenho de sucesso; a sua retórica é muito profunda e mexe com o pensamento de muitos. É esse sentimento popular (e não um cerne filosófico denso) que baseia a doutrina fascista. A figura do líder se junta ao destino histórico do povo, constituindo-se assim essa mencionada base. A inexistência de um programa fascista não era motivo de segredo; Benito Mussolini muitas vezes dizia ser ele mesmo a definição do conceito entendido por fascismo.
Para onde vamos a partir daqui?
O regime que hoje entendemos como fascista andou rumo ao poder com a ajuda de ex-liberais temerosos, tecnocratas oportunistas e até mesmo ex-conservadores. A sua vigência se deu como um movimento de alinhamento mútuo, ainda que desconfortável por muitas vezes.
Muitas sociedades da modernidade geraram movimentos fascistas durante o século XX, mas poucas foram as que tiveram regimes fascistas. Fica patente então, a diferença de regime para movimento.
A invenção do fascismo
O século XX teve no fascismo uma das suas grandes inovações. Carregado de grande euforia, o mesmo representou um mecanismo de bloqueio à ação da esquerda. É com o fim da Primeira Guerra Mundial que o termo foi cunhado por Benito Mussolini para representar o “estado de ânimo” dos seus seguidores. É importante ser assinalado que o termo nasceu, oficialmente, em Milão, na data de 23 de março de 1919. E é justamente na Itália que se seguem os primeiros passos ou ensaios do referido sistema político-partidário.
Dentre suas características, o anti-capitalismo e o seu tom anti-burguês de destacam. Todavia, o tão falado anti-semistismo é muitas vezes considerado como essência do regime; o que não pode ser ratificado. Na verdade, nas próprias palavras do autor, “o que o fascismo criticava no capitalismo não era sua exploração, mas seu materialismo, sua indiferença para com a nação (...)”.
Outro fator de caráter dialético é relativo à modernização, pois muitas vezes os fascistas declaravam uma ideologia agrária livre dos conflitos do modo de vida urbano; mas quantas não são as vezes que se vê uma idolatria a bens como carros e aviões de alta capacidade? O ritmo da industrialização, indubitavelmente, é acelerado quando da chegada ao poder do regime. Portanto, é igualmente falível afirmar que o fascismo representa uma reação antimodernista ou ditadura da modernização. Foram os artesãos e os camponeses que formam a base inicial de apoio ao regime.
O destaque da historiografia referente ao drama da trajetória fascista vale ser assinalado. O apoio da população e até mesmo a sua conivência é esquecido; “Eles jamais teriam crescido sem a ajuda das pessoas comuns (...)”
O que de fato fica evidente quando estudamos o tema é que os desacordos às interpretações, partem de estratégias intelectuais divergentes.O fascismo tem na emoção e no apelo uma chave para o seu desempenho de sucesso; a sua retórica é muito profunda e mexe com o pensamento de muitos. É esse sentimento popular (e não um cerne filosófico denso) que baseia a doutrina fascista. A figura do líder se junta ao destino histórico do povo, constituindo-se assim essa mencionada base. A inexistência de um programa fascista não era motivo de segredo; Benito Mussolini muitas vezes dizia ser ele mesmo a definição do conceito entendido por fascismo.
Para onde vamos a partir daqui?
O regime que hoje entendemos como fascista andou rumo ao poder com a ajuda de ex-liberais temerosos, tecnocratas oportunistas e até mesmo ex-conservadores. A sua vigência se deu como um movimento de alinhamento mútuo, ainda que desconfortável por muitas vezes.
Muitas sociedades da modernidade geraram movimentos fascistas durante o século XX, mas poucas foram as que tiveram regimes fascistas. Fica patente então, a diferença de regime para movimento.
domingo, 23 de março de 2008
Os fascismos – Francisco Carlos Teixeira da Silva
Introdução
O fascismo pode ser definido como os movimentos e regimes de direita que se apoderaram de inúmeros paises europeus desde a década de 20 até 1945. O termo em questão tem derivação de uma expressão em latim (fascio) que denota o feixe de varas, na Roma Antiga, com a qual se instituía a justiça.
História e política: o labirinto historiográfico do fascismo
Uma das abordagens mais conhecidas sobre o fascismo aponta para a centralização da questão em torno da Alemanha; portanto o fascismo seria representado exclusivamente pelo nazismo. Todavia, este não é um fenômeno único se comparado às demais manifestações fascistas.
O regime fascista aponta para um anti-liberalismo,para um anti-socialismo e finalmente,para um anti-democratismo o que se resume em ultima análise pelo seu caráter autoritário.
O autor nos concede interessante análise a respeito da tensão do chamado “inverno neonazista” de 1991, onde vários atos de violência marcam a historia dos paises, não apenas na Alemanha como também na França, na Federação Russa e em outros lugares cada qual com sua especificidade.
Fascismos: em busca de um modelo de análise
O fascismo deve ser analisado enquanto unidade, “agrupamento de configurações políticas de traços diversos, marcado, entretanto, por forte coerência interna e externa.” (página 122)
Outro ponto de destaque nesta sessão é de que cada regime fascista tem muitas semelhanças mútuas, mas é preciso lembrar da originalidade histórica e nacional de cada um em particular. Todavia, o método comparativo entre eles é válido.
Os elementos constitutivos: em busca de uma fenomenologia do fascismo
1.O antiliberalismo e antiparlamentarismo fascista
Para o regime fascista, a crise da contemporaneidade é provocada, em essência, pelo regime liberal. Tal idéia foi decorrente tanto de sociedades de efetivo regime liberal como naquelas em que este funcionava somente como ameaça.
2. O Estado orgânico e liderança carismática
O organicismo social, onde o Estado era visto como ser dotado de grande capacidade harmoniosa, surge em oposição ao “liberalismo desagregador”. Neste Estado orgânico as lutas e contradições deixam de existir; ele é a personificação da coesão nacional. Até mesmo a divisão clássica dos poderes entre legislativo, judiciário e executivo é suplantada pelo pleno comando pelo Estado do judiciário. “A fonte de todo direito passa a residir na vontade do líder e num vago conceito de bem-estar da comunidade popular, do qual o próprio líder é interprete e encarnação.” (página 133). O Estado fascista surge como uma policracia. Existia uma rede hierárquica até chegar ao líder supremo, o Führer (Hitler) ou ao Duce (Mussolini)
3. Comunidade do povo e a sociedade corporativa: o fascismo enquanto revolução
A proposição do Estado corporativo surge como resposta do sistema fascista à crise de identidade associada aos princípios liberais. “A concepção de Estado como potência expansiva implica a subordinação e o sucumbir da sociedade civil aos objetivos identificados como nacionais pelo Estado.” (página 140)
Não apenas na Alemanha como também na Itália, a elaboração do corporativismo tinha como objetivo a superação da crise econômica que não mais podia ser vencida pelo sistema liberal.
Depois da conquista do Estado, era necessário se estabelecer a ordem. Era preciso eliminar a luta de classes em âmbito nacional, evitar sempre os aspectos particulares da vida sindical para que assim pudesse existir condições de plena governabilidade. É de válido destaque a diferença entre o sistema aqui em questão e o socialismo marxista, pois este pretende um caráter científico, pretender ser capaz de organizar a sociedade a partir de leis sociais e econômicas históricas. Contudo, o fascismo poder ser definido como socialista na medida em que se define enquanto um regime de produtores, nacional e de defesa do bem-estar da coletividade.
4.A destruição do eu e a negação do outro
O regime fascista ficou marcado, indubitavelmente pelo anti-semitismo. A alteridade de caráter social e particular do indivíduo ficou demarcada como objeto central de ação fascista.
O fenômeno do Holocausto, tal qual outras mortes em massa, deve ser filiado a uma concepção de mundo que vêm a trazer a oposição à qualquer maneira de um contratipo ao seu tipo padrão. Os grupos que constituem o alvo do regime são unidos por laços de solidariedade e identidade.
Em direção a uma teoria do fascismo
Os diferentes aspectos já citados anteriormente caracterizam o fascismo enquanto sistema de dominação de especificidade patente. O fascismo surge enquanto caminho único, maneira única pela qual o individuo seria retirado da situação de falta de normas e de estranhamento. Esse regime se diferencia pelo seu caráter metapolítico, ou seja, transcende a órbita política.
O fascismo pode ser definido como os movimentos e regimes de direita que se apoderaram de inúmeros paises europeus desde a década de 20 até 1945. O termo em questão tem derivação de uma expressão em latim (fascio) que denota o feixe de varas, na Roma Antiga, com a qual se instituía a justiça.
História e política: o labirinto historiográfico do fascismo
Uma das abordagens mais conhecidas sobre o fascismo aponta para a centralização da questão em torno da Alemanha; portanto o fascismo seria representado exclusivamente pelo nazismo. Todavia, este não é um fenômeno único se comparado às demais manifestações fascistas.
O regime fascista aponta para um anti-liberalismo,para um anti-socialismo e finalmente,para um anti-democratismo o que se resume em ultima análise pelo seu caráter autoritário.
O autor nos concede interessante análise a respeito da tensão do chamado “inverno neonazista” de 1991, onde vários atos de violência marcam a historia dos paises, não apenas na Alemanha como também na França, na Federação Russa e em outros lugares cada qual com sua especificidade.
Fascismos: em busca de um modelo de análise
O fascismo deve ser analisado enquanto unidade, “agrupamento de configurações políticas de traços diversos, marcado, entretanto, por forte coerência interna e externa.” (página 122)
Outro ponto de destaque nesta sessão é de que cada regime fascista tem muitas semelhanças mútuas, mas é preciso lembrar da originalidade histórica e nacional de cada um em particular. Todavia, o método comparativo entre eles é válido.
Os elementos constitutivos: em busca de uma fenomenologia do fascismo
1.O antiliberalismo e antiparlamentarismo fascista
Para o regime fascista, a crise da contemporaneidade é provocada, em essência, pelo regime liberal. Tal idéia foi decorrente tanto de sociedades de efetivo regime liberal como naquelas em que este funcionava somente como ameaça.
2. O Estado orgânico e liderança carismática
O organicismo social, onde o Estado era visto como ser dotado de grande capacidade harmoniosa, surge em oposição ao “liberalismo desagregador”. Neste Estado orgânico as lutas e contradições deixam de existir; ele é a personificação da coesão nacional. Até mesmo a divisão clássica dos poderes entre legislativo, judiciário e executivo é suplantada pelo pleno comando pelo Estado do judiciário. “A fonte de todo direito passa a residir na vontade do líder e num vago conceito de bem-estar da comunidade popular, do qual o próprio líder é interprete e encarnação.” (página 133). O Estado fascista surge como uma policracia. Existia uma rede hierárquica até chegar ao líder supremo, o Führer (Hitler) ou ao Duce (Mussolini)
3. Comunidade do povo e a sociedade corporativa: o fascismo enquanto revolução
A proposição do Estado corporativo surge como resposta do sistema fascista à crise de identidade associada aos princípios liberais. “A concepção de Estado como potência expansiva implica a subordinação e o sucumbir da sociedade civil aos objetivos identificados como nacionais pelo Estado.” (página 140)
Não apenas na Alemanha como também na Itália, a elaboração do corporativismo tinha como objetivo a superação da crise econômica que não mais podia ser vencida pelo sistema liberal.
Depois da conquista do Estado, era necessário se estabelecer a ordem. Era preciso eliminar a luta de classes em âmbito nacional, evitar sempre os aspectos particulares da vida sindical para que assim pudesse existir condições de plena governabilidade. É de válido destaque a diferença entre o sistema aqui em questão e o socialismo marxista, pois este pretende um caráter científico, pretender ser capaz de organizar a sociedade a partir de leis sociais e econômicas históricas. Contudo, o fascismo poder ser definido como socialista na medida em que se define enquanto um regime de produtores, nacional e de defesa do bem-estar da coletividade.
4.A destruição do eu e a negação do outro
O regime fascista ficou marcado, indubitavelmente pelo anti-semitismo. A alteridade de caráter social e particular do indivíduo ficou demarcada como objeto central de ação fascista.
O fenômeno do Holocausto, tal qual outras mortes em massa, deve ser filiado a uma concepção de mundo que vêm a trazer a oposição à qualquer maneira de um contratipo ao seu tipo padrão. Os grupos que constituem o alvo do regime são unidos por laços de solidariedade e identidade.
Em direção a uma teoria do fascismo
Os diferentes aspectos já citados anteriormente caracterizam o fascismo enquanto sistema de dominação de especificidade patente. O fascismo surge enquanto caminho único, maneira única pela qual o individuo seria retirado da situação de falta de normas e de estranhamento. Esse regime se diferencia pelo seu caráter metapolítico, ou seja, transcende a órbita política.
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