A subida de Hitler ao poder em 1933 e sua decadência em 1945 foram fator de “causa comum” aos EUA e a URSS; indubitavelmente tal fato era ainda mais alarmante do que o medo mútuo entre as 2 grandes superpotências.
A razão pela qual isso foi estabelecido vai além do alcance das relações internacionais convencionais ou de uma mera política de influência. A junção de potências contra o poderio alemão de Hitler se justifica na medida em que o mesmo é visto como um Estado de políticas comandadas por uma ideologia. Ou seja, de que era uma potência fascista. O real interesse de cada país é que, em última análise, determinava a oposição ou o acordo.
Londres, assim como Paris, puseram em prática aquilo que conhecemos sob o nome de Política de Apaziguamento; já Moscou, inicialmente de oposição tornou-se neutra, com inúmeros ganhos territoriais. Nas palavras de Hobsbawm “(...) a lógica da guerra de Hitler acabou levando todos eles para ela, inclusive os EUA.”
A política elaborada pelo Ocidente pode ser compreendida como uma guerra ideológica de caráter internacional, não simplesmente como uma disputa entre Estados. As linhas de divisão em tal guerra seriam justamente (segundo Hobsbawm) os descendentes do Iluminismo do século XVIII e das grandes revoluções e no lado oposto, seus adversários.
Um dado importante apontado pelo autor refere-se ao governo de pelo menos dez velhos paises europeus quando findo o Segundo Conflito Mundial em 1945: eram chefiados por homens que inicialmente tinham sido rebeldes, exilados políticos ou haviam visto no seu próprio governo uma imoralidade e ilegitimidade. Vários escolhiam pela lealdade ao comunismo soviético, que suplantava a lealdade aos seus respectivos Estados.
Pouco a pouco, as vitimas do “Eixo” foram vendo as ampliações das conquistas do mesmo em direção à guerra que já em 1931, parecia ser não mais evitada. Era comum a frase: “fascismo significa guerra”. Em 1933 tem-se a subida de Hitler ao poder, este já evidenciando o seu programa e suas metas. Em 1935, a Alemanha rompia com os tratados de paz e surgia novamente como grande força militar e naval. É nesse mesmo ano que Benito Mussolini invade a Etiópia, região que passa a ser ocupada pela Itália como colônia nos anos 1936/1937. Em 1936 a Alemanha recupera a Renânia e, com a ajuda presente tanto da Itália quanto da Alemanha, explode na Espanha um grande conflito: a Guerra Civil Espanhola. As duas potencias fascistas de alinham formalmente; concomitantemente Alemanha e Japão assinam um “Pacto Anti-Comintern”. Seguindo a ordem cronológica, tem-se em 1937 a invasão da China pelo Japão o que abre caminho para uma guerra aberta; em 1938 é a vez de a Áustria ser invadida e anexada, fato que se deu sem resistência. O acordo de Munique despedaça a Tchecoslováquia, transferindo parte dela para as mãos do cada vez mais ascendente, Hitler. Como notado, mais uma vez isso se dá pacificamente.
A organização e mobilização de todas as potências de apoio contra o fascismo, “foi um triplo apelo pela união de todas as forças políticas que tinham um interesse comum em resistir ao avanço do Eixo; por uma política real de resistência; e por governos dispostos a executar essa política.”
Essa união se fazia necessária; era imperiosa para não resultar na destruição individual de cada umas das forças de oposição ao regime fascista. Foram os comunistas os protagonistas ou a encarnação da defesa da unidade antifascista.
A camada intelectual do Ocidente realizou o papel de primeira camada social mobilizada em massa contra o fascismo na década de 1930. Era ainda pequena, mas dotada de grande influência.
O que nos é passado desde então, é que existia uma ampla e inegável diferença entre reconhecer o perigo desenvolvido pelas potências formadoras do Eixo e realizar algum tipo de política de contraposição. É importante lembrar igualmente, das conseqüências drásticas do Primeiro Conflito Mundial para as potências alemã, francesa e britânica. Conseqüências estas não apenas no âmbito material, como na própria esfera humana.
Acordo ou negociação eram impossíveis com a Alemanha de Hitler porque seus objetivos eram tidos como dotados de irracionalidade e sem limite algum. “Expansão e agressão faziam parte do sistema, a menos que se aceitasse de antemão a dominação alemã (...).” A guerra, como já mencionado, parecia inevitável. O papel da ideologia fascista era de determinar os objetivos da Alemanha nazista e excluiu a realpolitik como alternativa para os adversários.
A guerra necessitava de uma preparação mas, segundo Hobsbawm, isso não foi feito. “(...) a Grã-Bretanha, certamente não estava disposta a aceitar uma Europa dominada por Hitler antes que a guerra acontecesse (...).”
O conflito espanhol antecipou e serviu pra moldar as forças que iriam destruir a força fascista. Todavia, o que é apontado também é que em 1936 (e mais ainda em 1939) as implicações do mesmo refletiam como fruto de um fato não real. Finalmente, o que devemos assinalar é o papel do regime comunista no chamado movimento de resistência. O comunismo atingiu total influência em 1945/1947 justamente por esse motivo (com exceção à Alemanha de Hitler).
A movimentação em torno da questão antifascista foi marcada por uma grande transitoriedade, assim como uma notável heterogeneidade. Todavia, conseguiu reunir uma extraordinária gama de forças; fato este que deve ser reconhecido.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
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