sexta-feira, 20 de junho de 2008

TEATRO - A temática nazista: Terror e Miséria no III Reich/ Bertolt Brecht

Olá galera...segue um pequeno resumo de uma peça teatral com o tema relacionado ao nosso curso.

O texto
Bertolt Brecht (1898-1956), autor e diretor alemão, trouxe a luta de classes para a poesia da cena, mostrando o homem como sujeito transformador de sua realidade. Em 1933 abandonou a Alemanha nazista, e no exílio escreveu, entre outras peças, Terror e Miséria no III Reich. Trata-se de um texto épico, onde cenas independentes são justapostas para retratar a Alemanha no período em que Hitler estava no poder. As cenas foram criadas a partir de recortes de jornais do período pré-guerra – 1942-1943, época em que a Alemanha vivia o temor de um governo totalitário e inquisidor. Para retratar esta sociedade abalada pela iminência de uma guerra, e pelo surgimento de uma facção preconceituosa e extremamente nacionalista (que desejava a todo custo o “soerguimento do povo alemão”, humilhado pelo Tratado de Versalhes), Brecht percorre as diferentes classes sociais, retratando as relações que se estabelecem ou se rompem perante o medo.
A peça
A peça retrata as relações humanas perante o medo. Na encenação, os atores apropriam-se de um espaço alternativo, onde cenas independentes são realizadas em escadarias, galpões, corredores e locais abertos, transformando todos esses ambientes. O público vai sendo guiado no decorrer do espetáculo em um verdadeiro campo de concentração. “A movimentação do público pelos espaços, as instalações e a caracterização do local buscam gerar uma atmosfera que remeta ao III Reich”, explica Lazzaratto. “Essa sensação de estar inserido no cenário, em situação ao lado das personagens é, para a platéia, uma experiência única, individual e inexplicável”, completa.
Trata-se, segundo o diretor, de um texto épico, em que as diversas cenas são justapostas para retratar a Alemanha no período Hitlerista, “revelando uma sociedade abalada pela eminência de uma guerra, em que, nas diferentes classes sociais, as relações se estabelecem ou se rompem perante o medo”. A preocupação do diretor e do elenco, segundo Lazzaratto, não apenas é relatar os fatos, mas, de alguma forma, “introduzir as pessoas nesse contexto extremamente atual, por meio de uma sincera manifestação artística”.

MILMAN, Luis. “Negacionismo: gênese e desenvolvimento do genocídio conceitual” In: MILAN, Luis, VIZENTINI , Paulo, Op. Cit., p. 115 a 154.

O artigo tratado é da autoria de Luis Milman, filósofo e jornalista que também há desenvolveu sistema de colaboração a diversos jornais e revistas de todo Brasil.
O autor começa reconhecendo a amplitude e contemporaneidade sobre o debate relacionado ao negacionismo. “Em muitos aspectos, as discussões que têm sido feitas contribuem para elucidar a funcionalidade de fantasias racistas arcaicas e de mitos conspiratórios ainda ativos na mentalidade contemporânea.”
Milan logo nas primeiras páginas nos alerta para o fato dessa postura que visa a banalização da apreensão do Holocausto (com suas próprias palavras); informa que tal medida não é algo inédito enquanto “retórica defensiva nazifascista”. Robert Servetius, Paul Vergés são alguns dos nomes representantes da postura que anteriormente mencionamos.
Como sabemos, os negacionistas se mostram como pesquisadores dedicados a questionar a história tida como oficial. Daí o sinônimo – revisionista- que, igualmente, denota uma postura de rever essa mesma história tida como oficial. Mas toda essa abrangência de detalhes metodológicos conceituais já foi abordada anteriormente através do artigo de Vilmar Krause. Mas como diz o próprio Milman: “(...) uma incursão pela história do negacionismo trará esclarecimentos sobre as origens e o desenvolvimento de suas distintas motivações.”

Em torno dos nomes como Paul Rassinier e Robert Faurisson ocorreu a construção das bases atuais da escola de postura negacionista (ou revisionista). Rassinier é o autor do primeiro livro desta escola; é portanto, um dos personagens chaves da mesma. O autor trata desta figura longamente e até certo ponto, densamente. Todavia não é nossa pretensão essa riqueza de detalhes informacionais. Sobre Faurisson, é válido ressaltar que ele “entra em cena” dez anos depois da morte de Rassinier tornando-se assim, o nome de maior expressão da postura a qual estamos tratando. David Irving, Arthur Butz e Roger Garaudy formam o grupo, juntamente com Faurisson, dos principais protagonistas da corrente mistificatória da qual Milman trata mas que também não vale ser aqui esmiuçada.

Em uma etapa importante de desenvolvimento de seu trabalho Milman lança a seguinte pergunta: “O que está em jogo quando discutimos as teses negacionistas?” Sigo nas palavras do autor: “Os negadores do Holocausto enquadram-se (...) pela audácia de investirem na supressão de fatos relativamente recentes. Para isso, eles contam com uma metodologia cenográfica e aparentemente elaborada (...)”.

Para finalizar nosso trabalho de síntese do artigo de Luis Milman, cabe a ressalva exposta pelo mesmo de que a argumentação daqueles que negam a história do extermínio do povo judeu possui alguns pressupostos encobertos. A respeito de como isso é estabelecido e eficientemente relacionado, vale a leitura integral do texto.

sábado, 14 de junho de 2008

GOODRICK-CLARKE, Nicholas. Sol Negro: cultos arianos, nazismo esotérico e políticas de identidade. São Paulo: Madras, 2004. Conclusão: p. 397-401

“Raça é o ímã dos cultos arianos e do nazismo esotérico, o princípio guia de sua visão de mundo histórica e política (...)”. Nicholas Clarke fala de uma postura observada no final da década de 50, marcada por um neonazismo pela oposição branca dos direitos civis destinados aos negros, a integração, o transporte integrado e a ação afirmativa. Salienta igualmente, os grupos neonazistas da Grã-Bretanha que tiveram origem justamente dos crescentes níveis de imigração de pessoas de cor.

Essa política visando o benefício dos negros perante os brancos (mediante por exemplo, políticas governamentais), ou seja, essa visão baseada no conceito de raça é, indubitavelmente, uma das causas do crescimento da extrema direita racista.

O autor menciona figuras como Julius Evola, Savitri Devi e Miguel Serrano; diz que o “pessimismo cultural” dos mesmos “expressa o temor da queda dos brancos (arianos) em uma era degenerada, dominadas por inferiores raciais e sociais.”

Um novo tipo de nacionalismo “como uma cultura de resistência às recentes forças de globalização e de imigração” pode ser notado. Por isso tornam-se explicável (todavia, não concebível, ou seja, não justificável) os aumentos do culto ariano da identidade branca em paises como os Estados Unidos (local de grande desafio no que diz respeito à diversidade de culturas – multiculturalismo- e onde a imigração vinda do Terceiro Mundo é cada vez mais ativa e intensa).

Para finalizar essa breve abordagem vale ressaltar que a conseqüência dessas posturas (a ação afirmativa, o multiculturalismo, etc.) está levando a um embate com/ao sistema liberal. “(...) esses cultos arianos e o nazismo esotérico podem ser documentados como sintomas iniciais de grandes mudanças desestabilizadoras nas democracias ocidentais da atualidade.”

sexta-feira, 13 de junho de 2008

KRAUSE- VILMAR, Dietfrid. “A negação dos assassinatos em massa do nacional-socialismo: desafios para a ciência e para a educação política” In: MILMAN,

O Revisionismo se caracteriza por uma acepção histórica que procura, como denota o próprio nome, revisar a História. De início, os adeptos da mesma não negavam essa “matança em massa” através da utilização de gás tóxico, mas tornavam tudo isso e os próprios testemunhos das vítimas algo que poderia (e deveria) ser relativizado.
Paul Rassinier (francês, ex-socialista e ex-prisioneiro do campo de concentração de Buchenwaid) é o nome daquele que conseguiu sucesso das primeiras declarações negacionistas . Dentre os inúmeros pontos que são negados por essa geração de revisionistas, temos por exemplo: o número de pessoas assassinadas, as técnicas usados para o extermínio, documentos e figuras históricas que foram apresentados, os locais dos campos de morte e também, a existência das câmaras de gás.
Nas palavras do próprio Krause: “O cerne das afirmações dos revisionistas consiste na negação do assassinato em massa dos judeus europeus.” O segundo grande Conflito Mundial teria sido imposta aos alemães, a Justiça das potências vencedoras seriam as responsáveis pela imposição de crimes exclusivamente aos alemães.
Inúmeros assuntos são englobados nessa grande corrente caracterizada pela posição de banalização, relativização e negação (enquanto representação máxima) dos crimes do regime nazista ou do nacional-socialismo.

Mais uma vez, vale repetir que a negação dos assassinatos em massa nas chamadas câmaras de gás é o foco da confrontação política e jurídica dos últimos dez anos.As mortes
no tenebroso campo de Auschwitz teriam sido causadas por fome e epidemias (vale a reflexão critica e a observação de até onde pode chegar a hipocrisia humana).
Existem diversas nuances ou gradações, qualitativamente falando, da opinião dos que negam a ocorrência dos extermínios do campo anteriormente mencionado. Mas é importante notar também o quanto esse revisionismo vem tomando posições cada vez mais crescentes. Segundo Krause “O revisionismo tomou-se uma enorme rede internacional de instituos que possuem um programa de publicações de livros e revistas, principalmente nos Estados Unidos e na Bélgica. São realizados simpósios e conferências e, além disso, a Internet é utilizada intensivamente há bastante tempo. Somente na Alemanha existem mais de 300 sites dedicados ao revisionismo (...)”.
Como dito, os níveis de argumentação dos negadores de Auschwitz são diversos. Por dentro desse conjunto maior da postura dos revisionistas podemos observar o tratamento tendencioso dos testemunhos das vítimas, a concepção alemã enquanto vítima da guerra, a descontextualização de documentos e de alguns fatos históricos etc.

Para finalizar é preciso ter em mente que “dificilmente teremos condições de discutir com os próprios defensores da negação, dado o ponto ao qual eles chegaram, enterrando a si próprios numa atitude de isolamento e encapsulamento.” De nossa parte, compete uma posição firme e argumentativa em oposição aos defensores da corrente de negação.

domingo, 8 de junho de 2008

Resenha do filme: O Triunfo da Vontade - Leni Riefenstahl

O filme em questão tem a direção de Leni Riefenstahl. O mesmo foi encomendado por Adolf Hitler como mecanismo de propagação dos eventos oficiais do Partido Nazista; portanto, serve como vitrine de toda doutrina do regime nazista. Artista famosa, Leni foi a pessoa responsável pelo profissionalismo e talento ao filme documentário político alemão. “Riefenstahl impõe às imagens dois objetivos: a glorificação do partido nazista e a deificação de Adolf Hitler.” Na opinião de críticos: “O Triunfo da Vontade combinava as ambições artísticas de Riefenstahl de fazer obras de grande apelo emocional e a necessidade por parte do partido nazista de uma produção que gerasse uma imagem positiva em um momento em que seu poder ainda não estava inteiramente consolidado.” “O Triunfo da Vontade expressa artisticamente uma concepção heróica de vida. Muito da eficiência das estratégias de Riefenstahl vem do aspecto heróico contido nas imagens, na trilha e na combinação delas. Isto está presente na abertura do filme, nas imagens de Hitler contra o sol ou o céu, nos festivais e movimentos coreografados de soldados, na onipresença de bandeiras.”
No filme temos a evidência de uma imagem da Alemanha enquanto país sob o comando de deuses. Os discursos de figuras e lideranças do Partido Nazista mencionam a situação de desordem do país no pós Primeiro Conflito Mundial; e isso se dá com uma atitude concomitante, de olhar para si próprios e se enxergarem como caminhos únicos para solução dos problemas. “O filme se esforça para instigar os espectadores (em especial os próprios alemães da época) a endossar as realizações do partido e de seu líder, para recolocar o país em um caminho de prosperidade e poder.”
Vemos que tudo o que se passa é, a fundo, construído. As paradas militares e a importância dos soldados são mostradas, a comoção popular é fator marcante. Para finalizar, ressaltamos mais uma vez, o papel da imprensa como maior meio de divulgação de ideologias e doutrinas. Filmes como esse foram, indubitavelmente, fator de grande propagação para o Führer.

Resenha do livro: O Diário de Anne Frank

O livro “O Diário de Anne Frank” conta a história da jovem Anne e de sua família tendo como pano de fundo ou contexto histórico, o regime nazista de Hitler. Anne Frank e sua família viviam inicialmente, na Alemanha; em torno de 1930 (quando da ascensão de Hitler ao poder) emigram para a Holanda onde vivem em condições de total normalidade.
À ocupação nazista na Holanda a família da jovem, por serem judeus, é obrigada a fugir. Todavia, não havia lugar em que pudessem se dirigir em caráter de total segurança. É justamente aí que começa uma verdadeira luta pela sobrevivência deles num esconderijo localizado em um velho prédio de escritórios, em Amsterdam.
Anne tinha apenas treze anos. À sua família juntam-se o casal Van Daan (e seu filho Peter) e Dussel; o abastecimento do chamado “Anexo Secreto” (livros, comida, roupa) era feito por amigos de fora . Dois anos, esse foi o período de estadia do grupo neste local mencionado até que em 1944 a Gestapo os descobriu. É, portanto, desta maneira que se tem o acesso a esta obra onde Anne fez inúmeras anotações do cotidiano, das condições miseráveis e deploráveis de sobrevivência e que consiste em material riquíssimo de análise.
Anne se caracterizava pela sagacidade, inteligência, dedicação aos estudos, por certo tom de humor e, principalmente, pelo ar dialético que se mostra em toda sua trajetória. Nesta menina vemos igualmente, uma mistura de sentimentos, uma posição de conflito interno e externo onde tudo pode ser explicado pela condição subumana de seu desenvolvimento. Nas palavras de João Etienne Filho: “O relato de Anne da vida diária e de como, apesar do perigo comum, ninguém conseguia se abrir, é comentário judicioso e fascinante sobre o comportamento humano e seus paradoxos espantosos.” O que também é objeto de análise é o processo de auto-descobrimento da jovem. “É o auto-retrato de uma jovem no limiar da maturidade, momento em que o diário de sua vida atinge a trágica e derradeira página.”
A história de Anne que desponta também como um “apelo” contra o racismo se encerra de uma maneira lamentável, assim como de inúmeras outras jovens das quais não existe conhecimento de suas histórias diretamente. Morre em um campo de concentração (seu pai é o único sobrevivente); fica porém a “magia da jovem” ao se concretizar o seu livro enquanto representação de seu sonho (justamente, o de ser escritora).
Diante do que foi exposto, fica claro que o tom comovente, reflexivo e de grande emotividade desta obra faz da mesma um clássico. Torna-se uma obra prima sem a intenção de assim o ser.

domingo, 1 de junho de 2008

VIZENTINI, Paulo F. “O ressurgimento da extrema direita e do neonazismo: a dimensão histórica e internacional” In: MILMAN, Luis, VIZENTINI, Paulo. Neo

O artigo em questão é da autoria de Paulo Fagundes Vizentini, historiador e cientista político. Mais uma vez o recurso retórico da citação é válido para se ter a tese central do artigo aqui trabalhado; diz Vizentini na introdução: “Os acontecimentos no mundo têm reforçado a importância da reflexão sobre o neonazismo e a extrema direita. A preocupação ao abordar esse tema, não se restringe à idéia de um movimento político em si, ou a questões exclusivamente de origens sociais, éticas ou filosóficas ligadas a essa temática, mas sim contribuir a partir de uma dimensão histórica, principalmente calcada nos problemas internacionais, que estão por detrás desse ressurgimento, já que, infelizmente, esse é um fenômeno que não está conhecendo fronteiras no mundo inteiro. Somente por essa breve e, concomitantemente, densa introdução já se pode ter um debate amplo sobre a questão desse reaparecimento dos fenômenos ou dos regimes de extrema direita e da própria ação tida como neonazista.
Como já apontando em tantos textos relativos a temas semelhantes, temos na década de 80/90 uma explosão dessas tendências neonazistas por diversas partes do continente europeu; o nazismo se liga a crise do sistema liberal característico da década de 1920, a sua derrota em 1945 não representa, portanto, o extermínio ideológico efetivo. “Por que razões somos surpreendidos pelo resurgimento, com muita força, desses movimentos? É necessário considerar alguns outros aspectos históricos que também são relevantes.”

Quando se pensa em toda essa complexidade do fenômeno fascista, tem-se que refletir sobre até que ponto esse “sucesso” ou experiência bem-sucedida não teve apoio em grande parte, da própria população; fato que é muitas vezes tido como irrelevante e cai no esquecimento de tantos. Outro ponto destacado por Vizentini é o fato de o regime sobreviver diluído e, até mesmo, encarregando-se de algumas tarefas supletivas.
O autor faz um apanhado histórico de enorme serventia e que nos serve como necessária localização espaço temporal. Fala do declínio dos “anos dourados” com a chamada crise do setor petrolífero e sua conseqüente repercussão mundial. Fala igualmente das diversas revoluções ultranacionalistas. A diminuição da solidariedade e do “olhar de piedade” das grandes potências para com o Terceiro Mundo assim como uma mudança no enfoque dos europeus no condizente às questões sociais também é tema contido no trabalho de Vizentini. O descontentamento da juventude com a sociedade de consumo acabou por desencadear os movimentos de contracultura nos anos 1960 que desaguarão no tão falado fenômeno do skinheads.
Inúmeros e os mais divergentes problemas vão marcar a posterior década de 1980 com uma atitude de irracionalismo (já tidas anteriormente) ao ponto disto servir até mesmo como um paradigma. A idéia da pós-modernidade: “(...) O pensamento de que o mundo é inexplicável, contraditório e fragmentado; a realidade seria fragmentada e não poderia ser compreendida na sua totalidade.” O que é fortuito de análise é porque e como categorias da população aderiram a esses movimentos.
O autor termina falando dos riscos e possíveis conseqüências dessa tendência de ressurgimento do nazismo; “(...) Estamos vivendo uma espécie de esgotamento, declínio e em alguns pontos, até colapso de uma ordem que existiu anteriormente. E o que irá substituir isto, ainda não está construído.”