domingo, 1 de junho de 2008

VIZENTINI, Paulo F. “O ressurgimento da extrema direita e do neonazismo: a dimensão histórica e internacional” In: MILMAN, Luis, VIZENTINI, Paulo. Neo

O artigo em questão é da autoria de Paulo Fagundes Vizentini, historiador e cientista político. Mais uma vez o recurso retórico da citação é válido para se ter a tese central do artigo aqui trabalhado; diz Vizentini na introdução: “Os acontecimentos no mundo têm reforçado a importância da reflexão sobre o neonazismo e a extrema direita. A preocupação ao abordar esse tema, não se restringe à idéia de um movimento político em si, ou a questões exclusivamente de origens sociais, éticas ou filosóficas ligadas a essa temática, mas sim contribuir a partir de uma dimensão histórica, principalmente calcada nos problemas internacionais, que estão por detrás desse ressurgimento, já que, infelizmente, esse é um fenômeno que não está conhecendo fronteiras no mundo inteiro. Somente por essa breve e, concomitantemente, densa introdução já se pode ter um debate amplo sobre a questão desse reaparecimento dos fenômenos ou dos regimes de extrema direita e da própria ação tida como neonazista.
Como já apontando em tantos textos relativos a temas semelhantes, temos na década de 80/90 uma explosão dessas tendências neonazistas por diversas partes do continente europeu; o nazismo se liga a crise do sistema liberal característico da década de 1920, a sua derrota em 1945 não representa, portanto, o extermínio ideológico efetivo. “Por que razões somos surpreendidos pelo resurgimento, com muita força, desses movimentos? É necessário considerar alguns outros aspectos históricos que também são relevantes.”

Quando se pensa em toda essa complexidade do fenômeno fascista, tem-se que refletir sobre até que ponto esse “sucesso” ou experiência bem-sucedida não teve apoio em grande parte, da própria população; fato que é muitas vezes tido como irrelevante e cai no esquecimento de tantos. Outro ponto destacado por Vizentini é o fato de o regime sobreviver diluído e, até mesmo, encarregando-se de algumas tarefas supletivas.
O autor faz um apanhado histórico de enorme serventia e que nos serve como necessária localização espaço temporal. Fala do declínio dos “anos dourados” com a chamada crise do setor petrolífero e sua conseqüente repercussão mundial. Fala igualmente das diversas revoluções ultranacionalistas. A diminuição da solidariedade e do “olhar de piedade” das grandes potências para com o Terceiro Mundo assim como uma mudança no enfoque dos europeus no condizente às questões sociais também é tema contido no trabalho de Vizentini. O descontentamento da juventude com a sociedade de consumo acabou por desencadear os movimentos de contracultura nos anos 1960 que desaguarão no tão falado fenômeno do skinheads.
Inúmeros e os mais divergentes problemas vão marcar a posterior década de 1980 com uma atitude de irracionalismo (já tidas anteriormente) ao ponto disto servir até mesmo como um paradigma. A idéia da pós-modernidade: “(...) O pensamento de que o mundo é inexplicável, contraditório e fragmentado; a realidade seria fragmentada e não poderia ser compreendida na sua totalidade.” O que é fortuito de análise é porque e como categorias da população aderiram a esses movimentos.
O autor termina falando dos riscos e possíveis conseqüências dessa tendência de ressurgimento do nazismo; “(...) Estamos vivendo uma espécie de esgotamento, declínio e em alguns pontos, até colapso de uma ordem que existiu anteriormente. E o que irá substituir isto, ainda não está construído.”

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