domingo, 8 de junho de 2008

Resenha do livro: O Diário de Anne Frank

O livro “O Diário de Anne Frank” conta a história da jovem Anne e de sua família tendo como pano de fundo ou contexto histórico, o regime nazista de Hitler. Anne Frank e sua família viviam inicialmente, na Alemanha; em torno de 1930 (quando da ascensão de Hitler ao poder) emigram para a Holanda onde vivem em condições de total normalidade.
À ocupação nazista na Holanda a família da jovem, por serem judeus, é obrigada a fugir. Todavia, não havia lugar em que pudessem se dirigir em caráter de total segurança. É justamente aí que começa uma verdadeira luta pela sobrevivência deles num esconderijo localizado em um velho prédio de escritórios, em Amsterdam.
Anne tinha apenas treze anos. À sua família juntam-se o casal Van Daan (e seu filho Peter) e Dussel; o abastecimento do chamado “Anexo Secreto” (livros, comida, roupa) era feito por amigos de fora . Dois anos, esse foi o período de estadia do grupo neste local mencionado até que em 1944 a Gestapo os descobriu. É, portanto, desta maneira que se tem o acesso a esta obra onde Anne fez inúmeras anotações do cotidiano, das condições miseráveis e deploráveis de sobrevivência e que consiste em material riquíssimo de análise.
Anne se caracterizava pela sagacidade, inteligência, dedicação aos estudos, por certo tom de humor e, principalmente, pelo ar dialético que se mostra em toda sua trajetória. Nesta menina vemos igualmente, uma mistura de sentimentos, uma posição de conflito interno e externo onde tudo pode ser explicado pela condição subumana de seu desenvolvimento. Nas palavras de João Etienne Filho: “O relato de Anne da vida diária e de como, apesar do perigo comum, ninguém conseguia se abrir, é comentário judicioso e fascinante sobre o comportamento humano e seus paradoxos espantosos.” O que também é objeto de análise é o processo de auto-descobrimento da jovem. “É o auto-retrato de uma jovem no limiar da maturidade, momento em que o diário de sua vida atinge a trágica e derradeira página.”
A história de Anne que desponta também como um “apelo” contra o racismo se encerra de uma maneira lamentável, assim como de inúmeras outras jovens das quais não existe conhecimento de suas histórias diretamente. Morre em um campo de concentração (seu pai é o único sobrevivente); fica porém a “magia da jovem” ao se concretizar o seu livro enquanto representação de seu sonho (justamente, o de ser escritora).
Diante do que foi exposto, fica claro que o tom comovente, reflexivo e de grande emotividade desta obra faz da mesma um clássico. Torna-se uma obra prima sem a intenção de assim o ser.

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