Outras épocas, outros lugares
Este trabalho tem como ponto inicial as seguintes indagações: “O fascismo teria acabado?” / “Haveria a possibilidade de um Quarto Reich ou algo equivalente estar sendo gestado?” / “(...), existiriam condições nas quais algum tipo de neofascismo poderia vir a se tornar um agente poderoso o suficiente para exercer influência sobre as políticas de um sistema de governo?”
É indispensável apontar a repugnância inspirada pelo regime fascista clássico como o maior entrave ao seu ressurgimento no pós-1945. Outros aspectos (tais como a globalização e a redução da credibilidade da ameaça revolucionária), concomitantemente, desempenham esse papel-chave. Na década de 1990, diversos acontecimentos foram causa de dúvida do término do regime.
A difícil e complexa definição do que é fascismo é salutar para se acreditar ou não na recorrência do mesmo. Aqueles que afirmam que ele está voltando têm a tendência de evidenciá-lo como um racismo e um nacionalismo violentos. Contudo, a visão objetada mais freqüente é o desmantelamento das condições antes existentes (aquelas contemporâneas da Europa do entre - guerras), o que não significa a não mais existência do próprio regime.
Paxton fala na dissipação natural dos tabus de 1945 com o desaparecimento da geração que presenciou os acontecimentos de maneira direta. Mas assinala que um fascismo do futuro não teria, necessariamente, que ter completa similitude ao clássico. Novos fascismos dariam preferência aos trajes típicos e patrióticos de seus países de origem; não à suástica. Não existe um critério indumentário para se estabelecer o que é ser fascista ou não. As chamadas “cópias idênticas” ou “cópias fiéis” do fascismo clássico parecem em certa medida, utópicas. A inexistência da mesma conjuntura (como já foi mencionado) e somado a isso, o caráter exótico e/ou chocante torna difícil a conquista de seguidores.
A Europa Ocidental é a região onde o legado fascista é mais forte. Mesmo com a perversidade do regime fascista, alguns de seus seguidores mantiveram-se fiéis. O fenômeno do neofascismo não é obra apenas da Alemanha ou da Itália; as exaustas potências do Segundo Conflito Mundial (tais como França e Inglaterra) sofreram brutas humilhações e perderam, indubitavelmente, o título de Grandes Potências que lhe eram próprios. Nos anos seguintes da ocorrência da Guerra, a direita radical obteve pouco sucesso no jogo eleitoral mas conseguiu levar a público a questão racial assim como a obtenção de influência sobre a política nacional.
Nos anos de 1980 e 1990, indo a uma tendência contrária da esperada, se observa um novo ímpeto a essa direita radical. Destaque especial às crises do petróleo (1973 e 1979) que geram uma instabilidade econômica fora dos padrões normais e a questão social onde se passava a exigir uma mão-de-obra cada vez mais altamente capacitada. A imigração passou a ser vista de maneira negativa, pois representava uma concorrência. “O colapso da solidariedade e da segurança para grande parte da classe trabalhadora européia, que teve início na década de 1970, foi agravado pela chegada à Europa Ocidental de levas de imigrantes do Terceiro Mundo, ao longo do pós-guerra. Em tempos de fartura, os imigrantes eram bem-vindos, porque vinham assumir o trabalho sujo recusado pela força de trabalho nacional. Mas quando, pela primeira vez desde a Grande Depressão, os europeus passaram a enfrentar o desemprego estrutural, os imigrantes deixaram ter boa acolhida.” (p.295)
Diante da passagem acima exposta, fica claro que os ressentimentos à força imigratória serviram de base ao programa dos movimentos radicais da Europa Ocidental a partir da década de 1970. O fenômeno do skinhead é exemplo típico de força de jovens agressivos de ataque a gays, africanos, imigrantes entre outros grupos.
Por fim o autor usa de um método comparativo entre as ditaduras latino-americanas e os regimes nazi/fascistas onde não nega semelhanças, mas chama a atenção para divergências no âmbito estrutural e de função e relação com a sociedade.
Retornamos as perguntas iniciais. O que fica explicado? Justamente que “não temos que procurar por réplicas exatas” desses regimes. Formas hoje existente, logicamente de maneira distinta, podem não ser menos perigosas.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
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